Blog do Juca Kfouri http://blogdojuca.uol.com.br Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Desde 2005, é colunista da Folha de S.Paulo e do UOL. Thu, 17 Aug 2017 14:34:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Um gol e um lançamento http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-gol-e-um-lancamento/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-gol-e-um-lancamento/#respond Thu, 17 Aug 2017 14:34:11 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91416 Tem um belo livro nas livrarias, com histórias deliciosas do jornalismo esportivo na TV brasileira, de autoria de Alberto Léo, precocemente falecido no ano passado.

Uma pesquisa alentada, de 1950 até fins de 1990, e recheada de casos que ele viveu ou colheu, lançada no começo de agosto pela Maquinária Editora. 

Este é o gol póstumo de um jornalista meticuloso.


O lançamento se dará na semana que vem, no Rio, obra de outro jornalista também sobre jornalismo, ou melhor, sobre um cronista de mão cheia, talvez o mais bem humorado da história de nossa imprensa.

Paulo Cezar Guimarães e a Gryphus Editora convidam para a noite de autógrafos da biografia de Sandro Moreya, botafoguense até a medula, piadista emérito, espírito carioca como não existe mais e autor de algumas das melhores frases atribuídas a Mané Garrincha e ao goleiro Manga.


Imperdível!

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Copa do Brasil: um jogo oxo e outro ixo http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-jogo-oxo-e-outro-1xo/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-jogo-oxo-e-outro-1xo/#comments Thu, 17 Aug 2017 02:41:17 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91400 O Flamengo começou a jogar contra o Botafogo na casa do rival como se fosse o Atlético Nacional de Reinaldo Rueda no ano passado: sem dar bola por jogar como visitante.

Rueda que foi muito bem recebido por Jair Ventura.


Mas não demorou muito para o Botafogo equilibrar as coisas e até dominar o fim do primeiro tempo, embora exatamente nos acréscimos Gatito Fernandez tenha batido roupa e Berrío perdido um gol imperdível no rebote.


Já no segundo tempo os visitantes foram mais perigosos e Diego bateu uma falta no travessão botafoguense.

Mas o jogo foi ruim, muito ruim.

Aos 32 minutos o assoprador de apito inventou de expulsar o goleiro rubro-negro Muralha e o zagueiro botafoguense Carli.

Foi o bastante para estragar o jogo diante de 28 mil torcedores e fazê-lo terminar sem gols, acabar “oxo”, como dizia o narrador  da antiga TV Tupi, Walter Abrahão.


Na Arena Grêmio só dava Grêmio e o Cruzeiro só se defendia diante de  mais de 45 mil torcedores.

Aos 12 minutos Fábio fez milagre em cabeçada à queima-roupa de Barrios e aos 32 fez outra ótima defesa em chute de fora da área de Pedro Rocha, mas, aos 45, deu rebote em chute de Luan para Barrios fazer o gol que o Tricolor tanto buscou, embora com dificuldades para chegar na área visitante.

Barrios é o centroavante que o Palmeiras procura…

É claro que o Cruzeiro buscou mais o jogo no segundo tempo, mas Marcelo Grohe não via a bola a não ser já nos acréscimos, quando salvou o empate ao sair nos pés de Raniel.


Geromel, o zagueiro que Tite preteriu para chamar Rodrigo Caio, fazia uma outra partida monstruosa, mas se machucou, teve de sair e deve ficar de molho por três semanas.

O Grêmio ganhou, mas não matou, porque 1 a 0 é pouco, embora não tenha sofrido gol.

Abrahão não diria que o jogo terminou “ixo”, porque seria muito infame.

A Raposa segue viva.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 17 de agosto de 2017, que você ouve aqui.

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Real Madrid sobra sobre o Barcelona http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/real-madrid-sobra-sobre-o-barcelona/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/real-madrid-sobra-sobre-o-barcelona/#comments Wed, 16 Aug 2017 22:47:39 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91377 Sem Cristiano Ronaldo, suspenso, e com Casemiro, Isco e Bale no banco, poupados, o Real Madrid fez gato e sapato do Barcelona durante os primeiros 45 minutos do clássico no Santiago Bernabéu para decidir a Supercopa da Espanha.


Asensio fez um golaço surpreendente ao meter uma bola no ângulo chutada da intermediária e Benzema fez 2 a 0 de virada ao se antecipar a Umtiti, grogue como, de resto, estavam seus companheiros catalães.

Além de uma bola na trave mandada por Vásquez.

Um baile!


Até a posse de bola dos merengues foi maior, 56%, algo raro em “El Clasico”.

Baile que antecipa tempos difíceis para o Barça, tamanha a diferença de talentos individuais entre os dois times e o futebol coletivo de um time que se manteve intacto de uma temporada para outra, comparado ao outro que perdeu Neymar e tem Iniesta no ocaso.

No jogo de ida, em Camp Nou, 3 a 1 para os madridistas, já havia ficado clara a disparidade entre as duas equipes, para não falar dos elencos, como, aliás, já se ensaiava no ano passado.

Pense num time que tem Modric, Asensio e Vásquez, que não estiveram como titulares no jogo de ida, e tem Casemiro, Isco e Bale no banco no de volta.

Para não falar de Carvajal, Varane, Sergio Ramos, Marcelo, Kroos,  Kovacic e Benzema, além do goleiro Navas.

Amassado, a equipe blaugrana ensaiou reagir nem bem o segundo tempo começou, com Lionel Messi acertando o travessão.


Aos 15, Zinedine Zidane, que fez do Real Madrid uma máquina coletiva como há tempos não era, tirou Kovacic e pôs o brasileiro Casemiro em campo.

Os madridistas chegaram aos 68º jogo seguido marcando ao menos um gol, recorde absoluto no continente europeu, a seis jogos da marca mundial do Santos de Pelé, nos anos 1960.

Com 5 a 1 no placar agregado, o Barça jogava para minimizar o atropelamento.

Depois de duas defesas incríveis de Navas, Suárez também cabeceou na trave no rebote da segunda.

Paulinho será insuficiente para equilibrar o desnível entre os gigantes espanhóis e Philippe Coutinho e o francês Dembélé se impõem como contratações  para devolver poder ofensivo ao time catalão.

Incrível, mas a temporada está só no início e parece fim de feira na Catalunha.

Veremos como chegará ao término.


Já o Real Madrid sobra e deverá ter mais um ano de conquistas.

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O futebol é um cofrinho de surpresas http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/o-futebol-e-um-cofrinho-de-surpresas/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/o-futebol-e-um-cofrinho-de-surpresas/#comments Wed, 16 Aug 2017 17:13:36 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91371 Estamos acostumados a imputar ao dinheiro a superioridade de clubes como o Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique, Chelsea etc.

Às vezes, muito de vez quando, aparece um Leicester, ou um Borússia Dortmund ou um Atlético de Madrid para mostrar que não é bem assim, embora o pequeno inglês não possa nem deva ser comparado aos auri -negros alemães e nem aos colchoneros. 

Daí, numa transposição meio automática de poderio financeiro e do desempenho dos três na temporada passada, Palmeiras, Flamengo e Galo foram apontados como os grandes favoritos a tudo em 2017.

O futebol jogado em campo desmentiu as previsões, embora o rubro-negro carioca ainda possa ganhar a Copa do Brasil e a Sul-Americana.

Palmeiras e Galo nem isso.


Quem brilha no Brasileirão é o endividado Corinthians, cuja direção é absolutamente caótica e não é de hoje, tanto que o time foi campeão brasileiro em 2015 atrasando salários dos jogadores graças a Tite, que soube comandar um grupo que tinha tudo para jogar de má vontade.

De certa forma, Fábio Carille o repete.

O Corinthians deve, não nega e não paga, toma bola entre as pernas a todo momento em que anuncia interesse num jogador e alguém vem e leva, mas segura a todo risco aqueles que outros querem levar e provavelmente será campeão brasileiro pela sétima vez.

O que revela duas realidades aparentemente antagônicas: não basta ter dinheiro nem é preciso ser bem administrado.

E obriga a pergunta: é justa a competição entre quem paga suas contas e quem não as paga?

Ah, é claro, o torcedor não está nem aí, só quer saber de ganhar. 

Agora, imagine o dia em que algum clube brasileiro tiver dinheiro e souber administrá-lo.

O Real Madrid terá de se cuidar…

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A noite é da Copa do Brasil http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/a-noite-e-da-copa-do-brasil/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/a-noite-e-da-copa-do-brasil/#comments Wed, 16 Aug 2017 09:55:04 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91367 Na Arena Grêmio, pelas semifinais da Copa do Brasil, Grêmio x Cruzeiro, exatamente o repeteco do ano passado, com uma diferença significativa: então o primeiro jogo foi no Mineirão.


E mesmo lá os gaúchos ganharam por 2 a 0 e depois seguraram um empate sem gols para chegar à final e ganhar a Copa pela quinta vez, maiores vencedores do torneio, perseguidos pelos mineiros, com quatro títulos.

Significa dizer que o Grêmio luta para aumentar a vantagem e o Cruzeiro para empatar a disputa.

Trata-se de um clásssico nacional, em que nenhum resultado fora de goleada será anormal, mas que tem o Grêmio como favorito não só por jogar em casa como também porque está jogando melhor.

Basta dizer que, no Brasileirão, o Grêmio está em segundo lugar e o Cruzeiro em nono, 12 pontos atrás.


No Estádio Nilton Santos, outro clássico nacional entre os cariocas Botafogo e Flamengo.

Aí o equilíbrio é maior no Brasileirão, com o Flamengo em sétimo lugar e o Botafogo em oitavo, a apenas um ponto.

Na Copa do Brasil o Flamengo busca o quarto título e o Botafogo o primeiro, derrotado que foi na única final que disputou, em 1999, pelo Juventude.

O momento botafoguense é melhor, embora, no papel, o time rubro-negro seja superior e incomparavelmente mais caro.

Se no sul teremos um embate entre dois técnicos gaúchos, Renato Portaluppi e Mano Menezes, no Rio o carioca Jair Ventura voltará a se encontrar com o colombiano estreante Reinaldo Rueda.

Os dois já se encontraram duas vezes neste ano e Jair Ventura se deu bem nas duas, quando o Botafogo ganhou do Atlético Nacional, pela Libertadores, lá, por 2 a 0, e cá, por 1 a 0.

O Botafogo é ligeiramente favorito.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 16 de agosto de 2017, que você ouve aqui.

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O rábula Vanderlei Luxemburgo http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/o-rabula-vanderlei-luxemburgo/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/o-rabula-vanderlei-luxemburgo/#comments Wed, 16 Aug 2017 02:01:21 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91358 Jair Ventura já se explicou e escreveu logo no começo de sua explicação: “Observando a repercussão de minha declaração sobre a contratação do treinador colombiano Reinaldo Rueda, avaliei que talvez não tenha sido bem claro quando me expressei.”

Pronto! Se ele assim avaliou fica claro por que foi tão criticado. Explicação dada, bola para frente e que continue em seu ótimo trabalho.


O episódio serviu para revelar um mau advogado em sua defesa, o rábula Vanderlei Luxemburgo, que escreveu: “O técnico estrangeiro pode vir ao Brasil, mas ele tem que seguir as normas que teriam que existir no futebol brasileiro. Para eu ser técnico do Real Madrid e ser aceito, a CBF teve que enviar para o clube e para a federação espanhola o meu currículo e confirmar que eu era técnico no Brasil.”

Coisa de louco!

Quer dizer que Luxemburgo deu permissão aos técnicos estrangeiros para virem trabalhar no Brasil. Eles podem vir, concedeu. Que alívio!

Luxemburgo para ministro do Trabalho!

E disse mais em seu raciocínio tão claro como a escuridão: o técnico estrangeiro “tem que seguir as normas que TERIAM que existir”.

Ora, bolas, profexô! 

Como seguir regras que TERIAM que existir. Ou existem regras a serem seguidas ou não existem e fica impossível segui-las, não é não?

Depois, se queixa de que a CBF teve de confirmar que ele era técnico para poder trabalhar no Real Madrid. 

Só isso?

Qual é o problema, então?

A questão está longe de ser simplória como Luxemburgo imagina.

O problema está em que os cursos dados na CBF não são reconhecidos na Europa como, por exemplo, o curso da associação de técnicos argentinos é.

Coisa para os treinadores brasileiros resolverem com a medíocre entidade ou com sua associação, sem achar que estrangeiro está tomando lugar de brasileiro.

Como advogado Luxemburgo revelou-se um ótimo vendedor de carro usado.

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Um campo http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-campo/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/um-campo/#comments Wed, 16 Aug 2017 00:59:26 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91350 POR LUIZ GUILHERME PIVA

Para Marcelo Coelho

 
Eu não sei onde fica o campinho, quem é o autor da foto (a quem fico devendo o crédito) e quando ela foi tirada. Recebi-a de um amigo, o Adriano, há algum tempo.

Mas está claro que é um lugar não alcançável por carro, em função talvez das trilhas no caminho até lá. Por isso, a charrete transportou a maior parte das pessoas. E teve que fazer mais de uma viagem: deixou uma turma esperando até chegar com outra, ou outras. As primeiras aguardaram as demais onde haviam descido e, quando todas já tinham chegado, começaram a se dirigir juntas para o campo

Uma parte, mais apressada, não esperou: são os que já estão na marca de escanteio da ponta esquerda de quem ataca para baixo e os que dela se aproximam. O casal mais perto da charrete se atrasou conversando – ou discutindo, dada a distância entre ele e ela. Os demais espectadores, rarefeitos pelas outras áreas da foto, vieram da vizinhança.

Não há ninguém com perfil ou vestimenta de jogador. Ao contrário, pela idade aparente, pela presença de mulheres e pelos trajes, o clima é social. Com certeza, trata-se da inauguração do campo. Ele acabou de ficar pronto: as pessoas nas marcas de escanteio (ao Sul e ao Norte da foto), na linha de fundo (embaixo) e na lateral oeste estão justamente observando a demarcação de cal.

O único que parece ter uma bola nos pés é o menino de branco atrás (talvez uns vinte metros) do gol de baixo, chutando-a para um rapaz de blusa azul. Eles não puderam jogar dentro do campo antes da sua inauguração.

À frente do aglomerado de visitantes, ou da comitiva, entre uma pessoa de vermelho e uma de branco (parecem ser duas mulheres), há alguém vestindo preto. É o padre, cuja bênção é obrigatória.

Os demais são algumas autoridades locais: o dono da fazenda, comerciantes, ao menos um vereador – membros do consórcio informal que viabilizou o empreendimento, fornecendo, respectivamente, terreno (e transporte), patrocínio privado e algum apoio público –, familiares, funcionários da fazenda, gente dos arredores.

O pano branco entre as árvores no Noroeste é certamente o local da cerimônia. Cenário para o discurso, para o corte da fita e, depois, para que se sirvam bebidas e comidas, que estão guardadas atrás do pano – é certo que haja ali uma mesa com pratos e até um bolo.

O homem de azul no sudoeste da foto carrega uma caixa branca, provavelmente de copos ou talheres ou espetos para um churrasco. A mulher loura, de blusa preta, ao seu lado, é sua esposa ou sua filha, e trabalha com ele nessas atividades (deve até ter feito o bolo), mas não gosta.

Na parte de trás da comitiva, na direção das orelhas dos cavalos, há um homem magro segurando um equipamento preto: é ele quem fará as fotografias que irão para a internet.

O evento durará até o início da noite. Se o Leste geográfico estiver ao Norte da foto, a claridade indica que passou um pouco do meio-dia. Se estiver ao Sul da foto, ainda é manhã – o que é mais verossímil, dado que será preparado um churrasco como almoço.

Em algum momento haverá o evento solene do desenlace da embalagem de celofane que abriga a bola nova, a ser sorteada entre os que compraram a rifa que ajudou no financiamento da cerimônia. Depois, palmas, foguetes e brindes. Mas não haverá jogo, porque não é dia disso.

No crepúsculo, com os mosquitos, o calor e algumas inconveniências, a charrete começará os carretos de volta. Uns continuarão, para aproveitar mais a cerveja e a carne, e terão que cambalear e tropeçar muito até suas casas.

Ninguém nota ou, se nota, não liga para o grave problema do campo: a ausência de redes nas traves. Isso, um dia, quando resolvido, talvez enseje outro churrasco.

Ali serão jogadas partidas históricas, por crianças ou adultos, com glórias e derrotas, com fins e inícios de amizade, por muitos anos. Até que as intempéries, o descuido, o mato, as plantações ou a construção de estradas ou silos ou galpões ou loteamentos acabe com tudo.

Assim como desaparecerão as pessoas que estiveram na sua inauguração.

Que então será apenas um retrato na internet. Mas sem dor.
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Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)

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Por uma só tocha olímpica http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/por-uma-so-tocha-olimpica/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/por-uma-so-tocha-olimpica/#comments Tue, 15 Aug 2017 21:39:32 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91341 Separar as piras e as cerimônias (de abertura e encerramento) dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos como dois acontecimentos totalmente apartados transmite que mensagem ao mundo?

Não perpetua a ideia de segregação, algo totalmente na contramão da Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU?

Considerando esse cenário, Rodrigo Hübner Mendes* propõe que durante os Jogos Olímpicos, e Paraolímpicos, em Tóquio, seja usada a mesma tocha, a mesma pira e, o mais importante, que a chama permaneça acesa entre os dois eventos.

A ideia foi apresentada por Mendes durante palestra no Fórum Econômico Mundial, em Toquio, e no TEDxSãoPaulo (no último dia 12 de agosto), anunciando o começo do projeto #oneflametokyo2020 – keep the flame lighted (mantenha a chama acessa).

Como próximos passos será estruturada uma campanha com apoiadores, patrocinadores e simpatizantes da causa.

A página www.oneflame.org já está no ar com um manifesto assinado por ele e vídeos que mostram a sugestão original feita aos membros do Comitê dos Jogos de 2020, durante encontro do Fórum, realizado em outubro de 2016.


*Rodrigo Hübner Mendes é um dos nomes mais relevantes no Brasil e no exterior quando o assunto é educação inclusiva. Tetraplégico desde a juventude é bacharel em Administração e mestre em Gestão da Diversidade Humana pela Fundação Getúlio Vargas, onde atua como professor. Em 2008, foi selecionado pelo Fórum Econômico Mundial para integrar o grupo Young Global Leaders, do qual  Bill Gates fez parte.

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De quem é a culpa da disparada corintiana? http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/de-quem-e-a-culpa-da-disparada-corintiana/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/de-quem-e-a-culpa-da-disparada-corintiana/#comments Tue, 15 Aug 2017 14:00:41 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91323 O Corinthians, é claro, não tem culpa alguma.

É apenas o responsável por vantagem tão surpreendente.

Jogou até aqui como pôde e derrotou seus principais adversários na casa deles e na inevitável contagem dos erros de arbitragem, contra e a favor, deixou de ganhar mais pontos do que os obteve no apito.


A culpa é, antes de mais nada, do calendário que encavalou competições de maneira inédita nesta temporada.

E de quem planejou mal suas disputas, ao cometer equívocos sobre quais torneios priorizar, porque nada justifica não tratar o Campeonato Brasileiro como o mais importante, ainda mais na fase de grupos da Libertadores, com adversários, a exceção dos do Botafogo, inferiores.

O Grêmio, por exemplo, errou ao jogar com o terceiro time contra o Sport, e perder, com os reservas contra o Botafogo, e perder, além do tropeço na derrota, em casa, para o Avaí.

Já o Palmeiras planejou mal sua temporada, fez contratações que não deram certo, até trocou de técnico e apostou que o dinheiro farto seria o bastante.

Flamengo e Galo não lhe ficaram atrás e fazem campanhas abaixo da crítica.

O resultado está aí: nem o Bayern Munique costuma fazer, no primeiro turno do Campeonato Alemão, o que o Corinthians tem feito.

Resta, aos não-corintianos, torcer para o time despencar.

Nada sugere que o fará.

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Jair Ventura deu bom dia a cavalo (atualizado) http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/jair-ventura-deu-bom-dia-a-cavalo/ http://blogdojuca.uol.com.br/2017/08/jair-ventura-deu-bom-dia-a-cavalo/#comments Tue, 15 Aug 2017 09:55:15 +0000 http://blogdojuca.uol.com.br/?p=91312 Jair Ventura, o jovem e bem-sucedido treinador do Botafogo, disse ontem num programa de TV, da Fox Sports, que discorda da contratação do técnico colombiano Reinaldo Rueda pelo Flamengo porque “tira o espaço” dos profissionais brasileiros.

Jair falou demais e deu bom dia a cavalo como diziam nossas avós.

Duas vezes!


A primeira ao dar uma opinião corporativista e xenófoba, que não cabia antes e cabe ainda menos neste mundo globalizado.

Ele parece ter esquecido dos estrangeiros que jogam em seu time, como o excelente goleiro paraguaio Gatito Fernandez, o bom zagueiro argentino Carli e o meia chileno Valencia.

Eles tomam lugar de jogadores brasileiros?

Se esquece, ainda, que seu pai, Jairzinho, o Furacão da Copa, não só jogou no exterior como foi treinador nos Emirados Árabes, no Japão, na Grécia…

A segunda vez em que Jair Ventura perdeu a oportunidade de ficar calado aconteceu porque, exatamente amanhã a noite, o seu Botafogo vai jogar contra o Flamengo de Rueda, pela semifinal da Copa do Brasil, e no estádio Nilton Santos, a casa botafoguense.

Suas declarações ficaram longe de ser as mais adequadas para dar boas vindas ao visitante estrangeiro que, além do mais, certamente tem o que ensinar no Brasil, técnico campeão da Libertadores no ano passado, pelo Atlético Nacional colombiano.

Jair Ventura faz um trabalho excepcional no Glorioso, é um dos mais promissores treinadores da nova geração nacional, tem apenas 38 anos e fará muito bem se hoje pedir desculpas a Rueda.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 15 de agosto de 2017, que você ouve aqui.

ATUALIZAÇÃO ÀS 11h30: 

Jair Ventura acaba de emitir a seguinte nota:

“Observando a repercussão de minha declaração sobre a contratação do treinador colombiano Reinaldo Rueda, avaliei que talvez não tenha sido bem claro quando me expressei.

Quero esclarecer que acho legítimo o direito de qualquer clube brasileiro contratar um treinador estrangeiro. Há muitos profissionais competentes em outros países, com condições de repetirem aqui o sucesso que tiveram em outros lugares, como é o caso de Reinaldo Rueda, que tem um currículo admirável.

O que questiono e me deixa triste é ver que treinadores brasileiros são vistos com desconfiança e encontram dificuldades para trabalhar no exterior. Além de questões legais, como não reconhecimento de nossa habilitação profissional no mercado europeu. Nossa licença não é aceita na Europa, ao contrário da dos argentinos, por exemplo. Temos que refletir, discutir e buscar maneiras de mudar essa situação.

E como posso criticar os estrangeiros, se convivo com vários no Botafogo? Eu mesmo morei mais de nove anos fora do país quando jogador e tive essa vivência. Reitero que defendo uma maior valorização dos treinadores brasileiros, de competir em igualdade de condições com os estrangeiros no mercado externo. Infelizmente, a nossa licença ainda não nos dá esse direito.”

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