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Blog do Juca Kfouri

Secar é preciso, torcer não é preciso

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Juca Kfouri

29/11/2021 17h33

POR PETRONIO PORTELLA NUNES FILHO*

POR PETRONIO PORTELLA NUNES FILHO*

Que me perdoem os fãs de Fernando Pessoa por adulterar sua citação sobre os navegadores portugueses. E que me perdoem os amigos flamenguistas. No sábado, torci pelo Porco e sequei o Urubu. Comemorei o resultado do jogo, apesar de só gostar de porco na forma de lombo bem passado ou de bacon.

Antes de ser torcedor, sou secador. E não seco só o Flamengo. Em todo jogo de futebol que não seja do Botafogo, seco o mais forte. Como assisto em média a dez partidas por semana e só uma é do Glorioso, sou muito mais secador do que torcedor.

Mas não tenho nada contra o time da Rede Globo. Se os deuses do futebol ouvirem minhas preces e o rubro-negro voltar a ser o fracote de outras épocas, dirigirei minha poderosa energia negativa para outros alvos.

Sou um secador feliz. Aliás, devo confessar que secar é mais prazeroso que torcer. Enquanto o torcedor sofre mesmo quando vence — os botafoguenses que o digam, o secador é um bon vivant. Ele é o único que consegue entender que decisão de campeonato é entretenimento e não drama shakespeariano.

Se o Porco tivesse perdido, eu não teria deixado de curtir o espetáculo futebolístico. E, ao final da partida, eu até faria piada com o "cheiro verde" palmeirense. O Porco tinha perdido as duas decisões disputadas em 2021. E, de minha parte, também gosto de zoar o time de Jair Bolsonaro e Felipe Mello.

Ser secador não me impede de ter afeição por outros times além do meu. Os secadores também amam. Nunca deixei de torcer pelo River Atlético Clube, de minha Teresina. E, durante o Doutorado na Unicamp, adotei o Corinthians como segundo time. No Brasileirão, meu coração bate em sincronia com as duas torcidas mais fiéis do Brasil, a fiel carioca e a fiel paulista.

*Petronio Portella Nunes Filho é advogado, doutor em Economia pela UNICAMP, assessor do Senado Federal e provocador.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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