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Blog do Juca Kfouri

Se Renato é tricolor, Bebeto é vascaíno

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Juca Kfouri

23/10/2021 22h18

POR BERNARDO PASQUALETTE

A situação que roubou à cena no Fla x Flu disputado nesse sábado no Maracanã pouco tem a ver com o resultado final da partida, vitória incontestável do Fluminense por 3 x1. Já no segundo tempo, quando a atuação tricolor era inconteste, a torcida pó de arroz reverenciou o antigo ídolo: primeiro o tradicional coro "Renato Gaúcho"; em seguida, surgiu o canto que imortalizou o clássico na memória coletiva do futebol carioca – "Eô, eô, o Renato é tricolor!".

Será?

Seja como for, a situação não é de todo incomum nos anais do futebol carioca. Curiosamente, há exatos 25 anos, situação idêntica já ocorrera envolvendo outro personagem do futebol do Rio de Janeiro: Bebeto.

Naquele início de outubro de 1996, Bebeto retornara à Gávea ainda em plena forma, consagrado pelo tetracampeonato e por temporadas muito boas no futebol espanhol.

No entanto, nem tudo foram flores em seu retorno ao Flamengo. Com dificuldades para se readaptar, o segundo semestre de 1996 não foi fácil para o antigo ídolo rubro-negro. O ápice desse processo ocorreria diante do maior rival rubro-negro a nível estadual – o Vasco da Gama. 

Numa tarde nublada no Maracanã, Vasco e Flamengo duelariam pela primeira fase do Brasileirão daquele ano. Edmundo, com três gols, seria o grande destaque daquela partida, que acabaria em goleada cruz-maltina: 4 x 1. 

Há exibição de gala do "Animal" só não foi mais marcante que o evento curioso que ocorrera naquele jogo: em um primeiro tempo de relativo domínio rubro-negro, eis que foi marcada uma penalidade máxima para o Flamengo. Bebeto, antigo ídolo vascaíno se prepara para cobrar, gerando grande e natural expectativa no então maior estádio do mundo.

Provavelmente saudosa do Campeonato Brasileiro de 1992, quando Bebeto se sagrou artilheiro e foi o grande destaque do Vasco na competição, a torcida cruz-maltinanão perdoou o antigo ídolo naquele momento decisivo: "Bebeto é vascaíno, ô, ô, ô!".

Se esse coro desestabilizou o eterno tetracampeão nunca se terá certeza, mas o certo é que o craque cobrou a penalidade na trave para delírio dos cruz-maltinospresentes no Maracanã.

Ao final do jogo, quando o Vasco já ganhava por 4 x 0, nova penalidade para o Flamengo. Bebeto, ainda em campo, teve que ouvir a torcida vascaína entoar em coro o seu nome antes da cobrança – "Bebeto, Bebeto". O tetracampeão não teve outra alternativa a não ser colocar a bola debaixo do braço e cobrar, dando números finais àpartida e fazendo o gol de honra do Flamengo naquele jogo.

Uma última curiosidade sobre o campeonato brasileiro de 1996: aquela disputa marcou uma das raras atuações da dupla da treta – Romário e Bebeto – jogando por um clube, ambos ainda em plena forma. Foi apenas em um tempo, na derrota rubro-negra para o Internacional por 2 x 1.

Mas essa é outra história, que o blog um dia ainda vai contar…

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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