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Blog do Juca Kfouri

Jogo de louco: um supersticioso-melancólico versus um meio louco-eufórico

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Juca Kfouri

21/09/2021 12h46

POR JOSÉ LUÍS PORTELLA

O jogo hoje vai ser bom. Não acredito em grande espetáculo, porque jogos decisivos, sobretudo de Libertadores, são fechados, com muitos passes de lado entre os zagueiros, muita catimba e jogo interrompido, com a anuência dos árbitros.

Contudo tem algo novo a se ver: se o Galo confirmar sua ascensão, hoje é o segundo melhor elenco do país; se os palmeirenses Hulk e Diego Costa vão maltratar o time do coração deles, não contratados pelo Palmeiras por imperícia, enquanto se gasta no alviverde uma fortuna com atletas que não correspondem,como Lucas Lima e mais uns dez filhos de Mattos.

Todavia, o melhor duelo será entre os técnicos.

Abel Ferreira teve três semanas para treinar, num calendário amigável como queria. A desculpa se evadiu. Teve duelos que, em tese, ajudariam a preparar o time, inclusive um jogo fraco contra a Chapecoense, que não exigiu seus pupilos.

Depois desse jogo ele concedeu uma entrevista onde se definiu como meio-louco, num tipo de afirmação que parece uma forma de criticar a si mesmo, mas no fundo é um autoelogio camuflado, porque no sentido que falou, no futebol, "loucos" são pessoas inovadoras e que pensam "fora da caixinha", o que soa como coragem e criatividade.

Um elogio disfarçado para justificar suas tentativas esdrúxulas como escalar Luca Lima de ala-lateral direito, um cara que não sabe nem marcar no meio campo, e que faz faltas estultas o tempo todo. E colocar dois laterais do mesmo lado sem nenhum entrosamento como Marcos Rocha e Mike, tirando a velocidade do contra-ataque, maior arma do time. E insistir com o fraquíssimo Lucas Esteves. Abel meio-louco tem a chance de usar o chapéu do pensador do professor Pardal, que ele gosta de encarnar, e buscar algo diferente contra um adversário superior.

Futebol é sempre futebol e o Palmeiras, embora hoje inferior pela incompetência da diretoria em reforçar o time, não é tão distante que não possa ganhar.

O Jabaquara já ganhou do Santos de Pelé e o Grêmio conseguiu derrotar o Flamengo. Palmeiras pode estrelar a noite.

Para aumentar o desafio, do outro lado existe Cuca, o homem que tem um semblante triste e desesperançado até quando ganha.

Ele não conjuga o verbo "esperançar" sugerido por Paulo Freire.

Cuca vai ter que sair da arapuca de Abel. Exigiu pouco de Hulk e Diego Costa contra o fraco Sport, sabe o que vem pela frente: um alviverde que precisa recuperar sua imponência.

Jogos assim são normalmente feios, apesar de muito competitivos.

Semifinal de Libertadores é a porta aberta para o Paraíso Sul-Americano e afirmação da autoestima.

Já pensou o Palmeiras eliminar o Galo e chegar a segunda final seguida depois de tanto tempo longe de sua obsessão. E se for bicampeão levaria a próxima administração para disputa do Mundial, que seria um feito inicial avassalador. Leia-se: vai contratar o Messi que puder, dentro do prazo.

É possível, não só pela imprevisibilidade do futebol, mas, sobretudo se Abel fizer o que ele inspirou quando se assumiu jactante ser meio-louco. Vamos ver. Começando pela escalação. Palmeirenses torceremos muito.

Em Condição Normal de Temperatura e Pressão, CNTP, como se diz na Ciência, o Galo é favorito.

Cabe Abel realizar a "loucura" mágica de derrotar Cuca, que é tristonho, cheio de manias, vai estar de negro, mas não é bobo.

Aí estará a essência do duelo. Melancólico x Eufórico. Quem vai tomar Frontal, após o jogo?

Por vezes, o futebol é o ópio do povo.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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