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Blog do Juca Kfouri

A Supercopa do ataque e da justiça

Juca Kfouri

15/04/2021 00h20

O Defensa y Justicia viajou da capital argentina para a brasileira com duas intenções: ganhar do Palmeiras, missão aparentemente impossível, e criar confusão, fosse pressionando a arbitragem, fosse provocando os jogadores alviverdes.

Abel Ferreira escalou o meio de campo dos sonhos de muitos, com os meninos Danilo e Patrick de Paula, ao lado de Raphael Veiga, e com três flechas no ataque: Rony, Breno Lopes e Wesley.

Mas o Palmeiras não parecia muito concentrado, nem mesmo Weverton que deu uma batida de roupa inusitada e quase proporcionou o 1 a 0 no rebote.

O Mané Garrincha não via na quarta-feira o Palmeiras que vira no domingo, mas a cada ataque alviverde o gol amadurecia.

Aos 18 minutos, enfim, Rony foi derrubado na área e o assoprador foi ver no VAR o tamanho do pênalti.

Veiga bateu muito bem e fez 1 a 0, quer dizer 3 a 1, quatro minutos depois.

O Defensa se mandou para o ataque e deixava espaço para o Alviverde ampliar a cada descida.

Mas, aos 31', em belíssima triangulação, Braian Romero empatou, 1 a 1, quer dizer, deixou o placar agregado em 3 a 2.

Em matéria de alma, tinha mais a argentina que a brasileira, com um certo ar blasé que não fica bem num jogo decisivo.

A ponto de, aos 36', Weverton ser exigido duas vezes para evitar a virada.

Mais uma vez o Palmeiras abusava da ligação direta, não agradava e os 45 minutos iniciais terminaram frustrantes.

Parecia mais o Palmeiras do Mundial do que o da Supercopa Brasil.

Abel Ferreira teria de mexer no intervalo, porque o que parecia fácil se complicava e nada justificava desempenho tão fraco diante de adversário cuja folha salarial não paga uma estrela palmeirense, nem seu treinador.

Por incrível que pareça, o DyJ voltou mais perigoso no segundo tempo e o meia Pizzini se divertia entre os defensores palmeirenses, enfiando bolas preciosas para seus companheiros.

O Palmeiras ia ganhando a taça, mas com gosto de mate, de chimarrão.

Depois de duas chances claras argentinas, aos 60', Rony teve a chance do segundo gol, cara a cara, mas chutou em cima do goleiro.

Mayke e Gabriel Veron foram chamados para os lugares de Wesley e Breno Lopes.

Como se não faltasse mais nada, Matias Viña deu pontapé sem noção nas costas de um rival e foi expulso de campo, aos 66'.

Ferreira chamou Gabriel Menino e sacou Veiga aos 77'. A ordem era marcar, não gols, mas os argentinos, para evitar a derrota que, cá entre nós, seria um vexame, embora também Veron tenha perdido o 2 a 1 em contra-ataque armado por Patrick de Paula. E Veron ainda se machucou no lance.

O jogo ficou tão dramático que Felipe Melo e Alan Empereur entraram nos lugares de Patrick de Paula e no de Veron.

Aos 93', o castigo merecido veio num tirambaço de Benítez ao se aproveitar de erro em saída de bola de Empereur. Weverton ainda tocou na bola, mas não impediu a virada: 2 a 1.

Prorrogação com dez contra 11 foi a provação que o Palmeiras teve de enfrentar.

Melhor ganhar uma taça jogando mal que perdê-la jogando bem.

Mas o Palmeiras tinha a obrigação de vencê-la e jogando muito melhor.

Agora corria o risco de perdê-la. Até Weverton estava inseguro.

Mas nem bem a prorrogação começou e Felipe Melo esticou grande passe para o heroico Rony ser derrubado pelo goleiro em novo pênalti que causou enorme confusão e a expulsão de Braian Romero, burro, porque prestes a tomar o gol brasileiro e deixando dez contra dez.

Só que o capitão Gustavo Gómez bateu mal o pênalti e Unsain defendeu.

0 a 0 na prorrogação, 10 a 10 em campo. Tudo igual.

O primeiro tempo da prorrogação transcorreu sem maiores novidades, como se ambos os times ou guardassem forças para os 15 minutos finais ou apostassem nos pênaltis, mais com medo de sofrer gol do que com coragem de fazer.

Sexta e última cartada de Ferreira, Luiz Adriano no lugar de Marcos Rocha.

Por incrível que pareça, com a bola no chão e sem chutão, o Palmeiras jogava melhor na prorrogação.

Os argentinos passaram a errar passes simples e os brasileiros se aproveitavam para ficar com a bola. Se saísse um gol seria verde.

Mas, francamente, era para tanto sofrimento? Um festival de câimbras invadia o gramado do Mané Garrincha.

E vieram os pênaltis. O Palmeiras conseguiu perder do Defensa y Justicia.

Mas ainda poderia ganhar a taça. E Weverton se redimir do segundo gol argentino.

Gabriel Menino fez 1 a 0.

Veio o empate.

Luiz Adriano bateu na parte externa da trave.

2 a 1.

Gustavo Gómez bateu, Unsain pegou, mas desviou a bola para dentro: 2 a 2.

3 a 2.

Rony não merecia perder e não perdeu: 3 a 3.

4 a 3.

Weverton não podia perder e mandou nas alturas.

O Defensa y Justicia é o campeão!

Hernán Crespo, o técnico do São Paulo que enfrentará o Palmeiras nesta sexta-feira pelo Paulistinha, certamente dormirá feliz, porque era o treinador do DyJ antes de vir para o Morumbi.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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