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Blog do Juca Kfouri

Gabigol: talento enorme, cabeça pequena

Juca Kfouri

12/01/2021 12h02

Em 2019 Gabigol aprimorou o que dele se suspeitava e passou a ser o melhor finalizador entre os jogadores em atividade no país.

De quebra, por ser o 9 do clube mais popular do Brasil, virou o maior ídolo de nosso futebol, personagem de história em quadrinhos, querido pelas crianças até de outros times.

Um sucesso como há tempos não se via por aqui.

Vinha de temporada decepcionante na Europa, com o desconto de que era muito jovem e parecia maduro para fazer esquecer o insucesso.

Mas pau que nasce torto não tem jeito, morre torto e seu temperamento indócil e marrento parece mais forte que o inegável talento.

Incapaz de lidar com a frustração até mesmo nas vitórias épicas, como a dos dois gols nos instantes derradeiros da decisão da Libertadores, a birra e a máscara fizeram dele um artilheiro inconfiável, bomba quase sempre prestes a explodir e deixar seus companheiros na mão.

Não é o primeiro, nem será o último caso, tantos são os exemplos históricos pelos gramados do mundo afora, embora fenômeno incrivelmente recorrente entre os chamados meninos da Vila.

Gabigol se acha o último biscoito do pacote e não aceita dividir protagonismo.

Comportamento que já era visível na campanha da medalha de ouro inédita na Olimpíada do Rio.

Então, o máximo que permitia era o óbvio, coadjuvar Neymar.

Ficava evidente seu desconforto a cada gol de Gabriel Jesus, a ponto de nem comemorá-los.

Gabigol tem uma irmã, embora mostre. as características de filho único mimado.

Jorge Jesus soube domá-lo.

Terá sido o único?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/