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Com crueldade, Flamengo enfia 5 no Corinthians

Juca Kfouri

18/10/2020 17h59

Alguém da direção do Corinthians talvez tenha imaginado que se pusesse o time com um uniforme diferente, que obrigasse o Flamengo também a jogar com outro fardamento, o Clássico do Povo não fosse assim tão desfavorável.

Não adiantou.

Até porque para quem queria mostrar "a cara do Corinthians", nada menos que seu rosto.

O Flamengo até demorou para fazer 1 a 0, com Everton Ribeiro, de cabeça, em passe de Filipe Luís em nova atuação exuberante.

Na verdade nem demorou, porque o gol, aos 31 minutos, foi o segundo.

O primeiro, de Pedro, aos 9', acabou anulado porque na origem do lance a bola havia saído pela lateral, o que o VAR flagrou rapidamente.

Vitinho também jogava muito bem e o Corinthians, em Itaquera, fazia o que podia, dominado pela enorme diferença técnica entre os times.

Aos 36', o Flamengo teve de trocar Gustavo Henrique por Gabriel Noga e oito minutos depois tomou seu primeiro susto no primeiro tempo, quando Camacho acertou de fora da área um tirambaço na parte inferior do travessão.

Os anfitriões faziam jogo digno dentro de suas limitações e os visitantes se encarregavam do espetáculo.

O segundo susto aconteceu nos acréscimos, quando Otero bateu escanteio fechado no primeiro pau e Xavier quase empatou de cabeça.

Não espelharia o jogo, embora fosse um prêmio para o esforço do time marrom-celeste…

Só uma mágica paralisante de Vagner Mancini evitaria a derrota corintiana no segundo tempo, porque o mais provável era o Flamengo ampliar o placar.

Porque num gramado bom, o rubro-negro mostrava futebol superior ao dos últimos jogos no lamentável Maracanã.

E logo aos 7', Everton Ribeiro fez uma jogadaça até entregar a bola para Vitinho e ele coroar sua atuação com arremate certeiro da entrada da área e ampliar: 2 a 0.

Espelhava melhor o que era o jogo.

Mancini foi em busca da mágica: Luan, Cazares e Mantuan, nos lugares de Boselli, Mateus Vital e Otero.

Mas desenhava-se uma goleada.

Aos 12', Natan cabeceou escanteio batido por Everton Ribeiro no segundo pau e mandou a bola e Cássio para o fundo do gol: 3 a 0.

Parecia pouco ainda e o Flamengo fazia 56 vitórias a 53 no confronto do clássico. Em Itaquera, 3 a 3 e 2 empates.

Trataria de tentar secar o Inter, que recebe o Vasco, logo mais às 18h15, e o Galo visita o Bahia, amanhã, às 20h.

Ao Corinthians restaria torcer contra o Vasco, para não se afastar, e contra Bahia e Botafogo, que recebe o Goiás, também amanhã, para que não o ultrapassem na luta contra o rebaixamento.

Convenhamos que sao perspectivas bem diferentes e que dão a medida da diferença mostrada no jogo.

Aos 16', Luan pôs a bola na cabeça de Gil e ele diminuiu, mas em impedimento.

Dois minutos depois o lance se repetiu e dessa vez, valeu: 3 a 1, em má saída de gol de Hugo.

Repetiria também o Corinthians em tarde de homenagem a seu pai inglês, a reação do West Ham contra o Tottenham mais cedo na Premier League, quando empatou nos últimos minutos jogo em que perdia por 3 a 0?

Seria épico, mas pra lá de improvável.

Num mesmo ataque, aos 22/23', Hugo salvou o segundo gol duas vezes: a primeira em chute de Cazares que ainda foi à trave e o segundo de Luan.

Mosquito entrou no lugar de Everaldo.

Mas, aos 26', Bruno Henrique tratou de botar as coisas em seus devidos lugares, ao aproveitar contra-ataque de pé em pé até fazer o 4 a 1.

Não dá para comparar por mais, repita-se, que o Corinthians jogasse o máximo que pode.

Vitinho então saiu e Diego entrou, assim como entrou Willian Arão no lugar de Thiago Maia.

Hugo fez mais duas boas defesas e estava inteiramente redimido da falha no gol e Gabriel substituiu Camacho.

O Corinthians ganhava quase todas pelo alto na área carioca, mas é preciso lembrar que a dupla de zagueiros era a composta por Natan, 19 anos, e Noga, 18…

Ramon no lugar de Everton Ribeiro e Lincoln no de Pedro, aos 37'.

Cruel, o Flamengo ainda fez 5 a 1, depois que Gabriel deu para Arão e Diego fez fila na defesa paulista, aos 41'.

Cássio deveria ter pedido para Walter jogar…

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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