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Blog do Juca Kfouri

Beto Kfouri (1948-2020)

Juca Kfouri

22/10/2020 16h45

Éramos quatro irmãos.

Beto, o do meio, o mais doce, mais querido, nos deixou.

Convivemos pouco na vida adulta porque, desde fins dos anos 1970, ele mudou-se para Porto Alegre.

Lá criou sua filha, Mariana, sobrinha adorável, e teve um casal de netos, Beatriz e Caetano, duas graças.

Deixa viúva a querida Ana Cristina.

Economista formado pela USP, era sócio de bem-sucedido escritório de peritagem trabalhista na capital gaúcha.

Ainda vivendo em São Paulo, teve o azar de sofrer, no dia 7 de setembro de 1973, forte acidente de carro no Itaim-Bibi.

As consequências causadas pelo motorista irresponsável que atravessou a rua João Cachoeira sem parar e o abalroou, foram graves: hemorragia pulmonar, inúmeras transfusões de sangue e, como consequência, em tempos ainda de controle precário, hepatite C.

Daí ao transplante de fígado foi um passo, e uma série de intercorrências, tumores inclusive, o levaram com 72 anos completados em 19 de julho.

Reservado, tinha humor refinado, era arguto observador da cena nacional e muito, mas muito corinthiano.

Com ele dividi, no Pacaembu, anos e anos de jejum de títulos.

A ponto de ele achar que eu era pé-frio e de eu achar que o pé-frio era ele.

Até ver a Portuguesa ganhar de 7 a 0 do Corinthians nós vimos juntos, em 1961.

Viramos amigos distantes, mas de conversas profundas e laços indestrutíveis, ele mais sofrido, eu mais otimista.

Não tive coragem de ir vê-lo no fim.

Preferi guardar sua imagem no casamento de meu filho caçula, no ano passado, e das últimas conversas que tivemos, na casa dele, quando lá fui para tentar animá-lo, coisa de três anos atrás.

A dor que agora dói é estranha: nos víamos tão pouco, que diferença faz?

Pois faz imensa diferença.

A diferença de nunca mais poder vê-lo.

Dói demais.

Resta deixar o agradecimento ao médico Bruno Galperim, responsável por permitir que ele tivesse importante período de sobrevida para ver nascer e curtir seus netos.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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