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Blog do Juca Kfouri

Bahia dá lição ao Galo com régua e compasso

Juca Kfouri

19/10/2020 21h48

Impressionante o Galo.

Como sobra!

Pressionou o Bahia durante 20 minutos no Pituaçu até Savarino fazer 1 a 0, em bola ajeitada por Réver como se fosse centroavante fazendo pivô.

Sem pressa, mas com pressão sufocante.

Mano Menezes, suspenso, não estava no banco e, quem sabe, vendo de outro modo, assim como todos os demais treinadores brasileiros, consiga aprender como se deve jogar futebol hoje em dia.

Domènec Torrent e Eduardo Coudet sabem.

Fora de casa, na frente, necas de garantir a vantagem.

A pressão pelo segundo gol seguia como pelo primeiro.

Aos 33', arrogante, o assoprador de apito não quis ver no VAR o pênalti sobre Keno que ele não assinalou.

O Bahia estava perdidinho da Silva, ou melhor, de Menezes. Simplesmente não conseguia jogar.

Passar do meio de campo era uma dificuldade. Da intermediária, então, nem pensar. E distribuía faltas a rodo.

Só aos 45' o Bahia chutou sua segunda bola para o gol mineiro. Para fora.

E ergueu as mãos aos céus para agradecer por estar apenas 1 a 0.

Jorge Sampaoli sacou Réver e pôs Igor Rabello, para poupar o capitão.

No Bahia entraram Marco Antônio e Gilberto e saíram Edson e Clayson.

Só que o segundo tempo começou do jeito que foi todo o primeiro: com o Galo não deixando o Bahia jogar.

O Galo seguia líder, com um jogo a menos, e o Bahia voltava à ZR.

Keno não estava mal, nem em grande noite e, aos 15', perdeu gol imperdível.

Três minutos depois Natan deixou Savarino na cara do gol e foi a vez dele desperdiçar o 2 a 0.

O Galo corria o risco de tomar o castigo de quem perde tantos gols.

Era o que colorados e rubro-negros cariocas, além dos tricolores da Boa Terra, é claro, queriam.

Aos 20', o Bahia deu seu terceiro arremate ao gol. Por cima.

O Galo tinha dado 18, mas o goleiro Douglas pouco trabalhava, porque a pontaria estava ruim.

Desculpem os torcedores do Galo, mas, que língua!

Aos 22', Gilberto bateu falta frontal, Éverson deu rebote, Gregore cabeceou para Daniel que empatou: 1 a 1.

Coisas do futebol, suficientes para deixar Sampaoli pistola.

Aos 27', em contra-ataque, Éverson evitou a virada nos pés de Marco Antônio.

Não é que Mano Menezes estudou bem o primeiro tempo e fazia seu time surpreender o Galo?

Que deixava de ser líder, caía para a terceira posição, assim como o Bahia deixava a ZR.

O Galo encanta, mas não tem ainda, por exemplo, a maturidade do Flamengo para matar seus jogos. Nem tantos jogadores decisivos.

Embora fora de casa, o alvinegro perdia dois pontos e começava a correr o risco de perder três.

Marrony em campo, Sasha fora.

Mas, aos 34', Guga deu um presentaço a Gilberto, o atacante deixou Igor Rabello e Éverson na saudade e virou: 2 a 1.

Era injusto?

Aparentemente, sim, mas, na prática, não!

Porque o Galo perdeu a chance de matar o jogo, errou e o Bahia, quando pôde, não perdoou.

Bahia que em tantos jogos jogou melhor e não obteve o resultado, dessa vez jogava pior e ganhava.

Na verdade dava uma lição ao Atlético, com régua e compasso.

Savio no lugar de Natan, aos 37'.

Aos 40' foi a vez de Alonso perder o empate, com a primeira defesa de Douglas.

Coisa que o Bahia não fez aos 43', com Gilberto, ao fazer 3 a 1, em passe de Daniel.

Mano Menezes ria da cara do blogueiro. Com toda razão.

E Inter e Flamengo agradeciam, três pontos e um jogo a mais que o Galo.

Já o Bahia subia para 12ª posição e deixava o Corinthians como o último antes da ZR.

O 4 a 1 não aconteceu por detalhe. Que virada!

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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