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Palmeiras 5, Bolivar 0, a goleada previsível

Juca Kfouri

30/09/2020 19h15

São 19h15 e meu prognóstico é de goleada palmeirense por 4 a 0.

Volto após o jogo.

Admito ter tido vontade de voltar já às 19h19, quando Rony foi à linha de fundo pela direita, cruzou rasteiro para Wesley abrir o placar.

Mas o menino pegou mal na bola que sairia não fosse Willian estar bem colocado e a empurrado para o gol: 1 a 0.

O 1 a 0 me animou a mudar o prognóstico para 5 a 0.

Mas não é o que Palmeiras recuou, o Bolivar foi à frente, exigiu duas defesas de Weverton e o que parecia fácil ficou difícil porque o Palmeiras voltou a jogar mal, embora até tenha criado mais duas ou três situações de perigo?

E, no fim do primeiro tempo, por pouco os bolivianos não empataram de novo.

Mas será o capeta que Vanderlei Luxemburgo não consegue fazer o time render!

A cara dele no intervalo era a de quem comeu e não gostou.

Como sou teimoso, e otimista, segui apostando em mais três gols.

A chiadeira alviverde nas redes sociais era coisa que sirva.

Mas logo aos 47 minutos Wesley fez um lindo gol, muito mais difícil do que o perdido no primeiro tempo.

O blogueiro aqui esfregava as mãos e queria mais.

Porque há anos defende que os times bolivianos de La Paz, Bolivar e The Strongest, só jogam a 3.650 metros de altitude.

Aos 52', Raphael Veiga deixou Willlian na cara do gol e o Bigode desperdiçou, coisa rara.

Enquanto a goleada pintava, mas ainda não vinha, as redes sociais alviverdes se acalmaram.

O jogo foi ficando tão fácil que era capaz de Felipe Melo não receber nenhum cartão amarelo e o terceiro gol rondava a área boliviana.

Luxemburgo deve ter perguntado no vestiário: "Voxês querem me f…? Vão deixar exes pernas de pau complicar minha vida?".

E os jogadores voltaram a campo dispostos a mostrar que não.

O uruguaio Matías Viña, por exemplo, pegou um rebote da defesa e, aos 60', de peito de pé esquerdo, ampliou: 3 a 0!

Dois minutos depois, sacanagem!

Viña deu com açúcar para Raphael Veiga fazer 4 a 0 e, estava na cara, viria mais — e meu prognóstico iria por água abaixo.

Até Rony fez gol, o quinto, escorando de cabeça um passe de três dedos do menino Wesley, aos 65'.

Os bolivianos estavam postos em seus devidos lugares.

Vão jogar bola lá nos quintos das alturas, uma covardia desumana.

Resolvi atualizar a nota com o jogo ainda em andamento e ir voltando à medida que mais gols saíssem.

Deixemos claro que goleadas não merecem críticas, que se o adversário e fraco não é problema do forte, desde que goleie.

Foi o que fez o Palmeiras.

"Ah, mas não serve de parâmetro", dirá a turminha do amendoim e suas cornetas históricas.

OK, deixemos para a continuação da Covidadores-2020.

Invicto, o Verdão está classificado para as oitavas de final e 99% em primeiro lugar.

Claro, já tinha gente reclamando que faz 29 minutos que o Palmeiras não faz nenhum gol.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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