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Não ganha, não perde - Dá para ser campeão empatando muito?

Juca Kfouri

22/09/2020 00h15

POR PAULO EGREJA

Nas últimas semanas, a campanha invicta e cheia de empates do Palmeiras tem gerado discussão. Afinal, com esse modelo de jogo, o alviverde é ou não é candidato ao título nacional? Após 10 rodadas, o Palmeiras tem 4 vitória e 6 empates, é o único invicto, e essa invencibilidade é apontada como o grande mérito do trabalho de Luxemburgo.

Analisando a era dos pontos corridos a partir de 2006, quando o torneio passou a contar com 20 times (2003 e 2004 tinham 24, 2005 contou com 22), vemos que os campeões nacionais empatam, na média, 9,2 jogos em 38 rodadas.

O campeão com mais empates foi o São Paulo, que por duas vezes, 2006 e 2008, ergueu a taça com 12 empates. A campanha de 2008 do tricolor é, inclusive, a única até hoje em que o campeão terminou entre os times que mais empataram. O vencedor que menos empatou foi o Flamengo de Jorge Jesus em 2019, 6 vezes.

Nas últimas 14 edições do torneio (2016 – 2019), em 54 oportunidades um time terminou o campeonato com mais empates do que vitórias; 5 vezes entre os 10 primeiros e apenas uma no G4, o Flamengo em 2011, que terminou com 15 vitórias e 16 empates. Por outro lado, 28 desses 54 terminaram rebaixados.

O palmeirense pessimista vê os empates como estagnação. O otimista, foca na invencibilidade, e espera o melhor cenário possível: que o Palmeiras continuará sem perder, mas começará a acumular vitórias, independente do futebol que a equipe apresenta. E essa é a grande questão.

O Palmeiras hoje joga um jogo reativo, focado só no resultado, não importa como ele vem. Parte da torcida se irrita com essa conclusão, e defende o treinador apresentando desculpas para cada atuação defensiva do time: contra o Inter, em casa, jogou fechado porque era contra o líder. Contra o Corinthians, com um a menos, recuou porque era clássico. Contra o Sport, também com jogador expulso, porque a rodada seguinte era da Libertadores. Contra o Bolívar, por causa da altitude. Contra o Grêmio, porque o time estava cansado. Seja qual for o motivo, o fato é que o Palmeiras faz o gol e recua, ao invés de tentar matar o jogo, uma tática que até agora tem sido cruel: dos 6 empates da equipe, em 5 saiu na frente no placar. O time é o 4º colocado nos pontos corridos, mas líder nos pontos perdidos.

Desde a retomada do futebol, o Palmeiras só venceu por 2 ou mais gols de diferença uma única vez, contra o Corinthians. E ainda não marcou 3 gols numa mesma partida. O time não parece disposto a arriscar derrotas para buscar a vitória, contrariando a filosofia do próprio treinador, que no auge defendia que valia mais a pena arriscar e vencer uma e perder outra, do que empatar duas. Ao mesmo tempo, o time não tem conseguido executar uma qualidade básica do time que joga por uma bola: não levar gol – foram 9 nos últimos 10 jogos.

Mais do que azar, os empates do Palmeiras tem sido consequência direta da forma que a equipe joga e da postura que assume em campo, principalmente depois que abre o placar. E como vimos pelos números acima, empatar muito, mesmo com invencibilidade, não te leva muito longe em 38 rodadas. Que o diga o Atlético Mineiro, que ainda não empatou, perdeu 3, e é líder.

Com um bom time e perdendo pouco, o Palmeiras passará todo o torneio flutuando no G4. Mas a experiência dos outros campeões brasileiros mostra que, para vencer o torneio, uma hora é preciso ter coragem. Ao final do campeonato, veremos quem foi mais corajoso.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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