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Futebol em greve na Arena Grêmio

Juca Kfouri

20/09/2020 17h54

O Palmeiras queria se aproximar do líder em Porto Alegre?

Pois não parecia.

Limitou-se a fazer faltas em cima de faltas, a truncar o jogo, a evitar que o Grêmio, todo descaraterizado, jogasse.

"Faltas pertenxem ao futebol", dirá Vanderlei Luxemburgo.

"Arbitragem frouxa", responderá, à beira da histeria, Renato Portaluppi.

Jogo entre as intermediárias, poucas emoções, chances de gol só algumas poucas e todas gaúchas.

Um primeiro tempo lamentável, digno do estádio vazio.

Que o espírito de San Paoli iluminasse técnicos e jogadores no segundo.

Amarelado, Gabriel Menino não voltou para a etapa final. Bruno Henrique o substituiu.

Felipe Melo estava de volta desde o início e o cartão amarelo para ele também, logo aos 3 minutos da última metade do jogo.

Cansativo, repetitivo dizer, mas o esporte que Grêmio e Palmeiras disputavam não tem nada a ver com o que disputaram, no começo da tarde brasileira, Chelsea 0, Liverpool 2, em Londres.

Lentidão exasperante, passes laterais, o gol seria acidental.

Vanderlei, o goleiro gremista, morria de tédio no arco gaúcho.

Aos 14', Rony fora, Gabriel Veron dentro. Uma esperança, um alento de bom futebol.

Era um show de decisões erradas, até de jogadores rodados como Diego Souza de um lado e Ramires, do outro.

Aos 18', Ferreirinha em campo, Lucas Silva fora.

Luiz Adriano no lugar de Willian e Wesley no de Ramires, aos 22', duas novas tentativas de Luxemburgo para fazer gol na parte final dos jogos, como até tem acontecido.

Até ali, o Palmeiras empatava pela sexta vez em dez jogos e o Grêmio pela sétima.

A diferença para o quinto e 11º colocados estava na invencibilidade alviverde e nas duas derrotas tricolores.

Então, Vinha cruzou e Raphael Veiga, sozinho, estufou a rede gaúcha no primeiro chute paulista entre as três traves: 1 a 0.

Vanderlei seguiu sem tocar na bola…

E o gremista pensou: "Se Pedro Geromel e Kannemann estivessem em campo, jamais Veiga teria tanta facilidade.

Darlan fora, Isaque dentro, aos 29'.

O resumo da ópera até ali era o que tem marcado a campanha palmeirense: jogo a jogo, ponto a ponto, de grão em grão, o Verdão está a um ponto do líder Galo.

Robinho saiu, Guilherme Azevedo entrou, aos 35'.

O Grêmio não incomodava a defesa rival.

Aos 40', como seguro morreu de velho, Vitor Hugo no lugar de Veiga, para fechar e garantir a vitória magra, sem qualidade, mas, na era do resultadismo, três pontos no bolso.

Que viraram apenas um, em justo castigo, com três zagueiros na área, escanteio pela esquerda batido por Alísson, e o pequeno Ferreirinha empatou: 1 a 1.

E assim caminha a mediocridade.

Um clássico com 42 faltas, 21 de cada lado, em 90 minutos, uma a cada dois minutos. Lastimável!

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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