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Chinelões alviverdes param nos fraldinhas rubro-negros!

Juca Kfouri

27/09/2020 18h16

Para coroar a palhaçada, culminar a derrota da arrogância e das mentiras do Flamengo, e da covardia e falta de solidariedade do Palmeiras, houve jogo.

Na defesa do Flamengo, um quinteto de Copinha São Paulo: Hugo, 21 anos, João Lucas, 22, Natan, 19, Otávio, 18 e Ramon, 19.

Cobras criadas no time carioca só mesmo Thiago Maia, Gerson, Arrascaeta e Pedro, embora Lincoln, 19, não seja mais um iniciante.

E Guilherme Bala, na ponta, também de 19 anos.

O Palmeiras, com força total, também tinha seus meninos Patrick de Paula, 21, Gabriel Menino, 19 e Gabriel Veron, 18. Os demais, todos veteranos.

O jogo começou com 25 minutos de atraso porque os engraçadinhos da Gávea chegaram ao estádio em cima da hora, certos de que ganhariam a batalha judicial que acabou perdida em Brasília, no Tribunal Superior do Trabalho.

O Flamengo nem técnico titular tinha, pois Domènec Torrent é mais um infectado pela Covid-19.

Vanderlei Luxemburgo tinha a obrigação da vitória e por boa margem de gols, embora talvez tenha torcido pelo WO, que significaria 3 a 0 para o Palmeiras.

Mas é claro que os sobreviventes do Ninho do Urubu não estavam de acordo.

E os dois clubes mais ricos do país escancaravam a miséria moral do futebol brasileiro, digna de João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e seus atuais sucessores na Casa Bandida do Futebol.

Nos primeiros 20 minutos o Palmeiras mostrava sua tradicional falta de ideia de jogo e parecia contaminado pela necessidade de bater em bêbado, aquela velha coisa do medo do vexame, ganhar é obrigatório, perder ou empatar seria vergonhoso.

A garotada carioca se insinuava e Weverton, aos 25', teve de se virar para evitar gol de Pedro.

O Flamengo jogava em 78 rpm e o Palmeiras em 33.

Jordi Guerrero, confortavelmente trajado de bermudas, gostava do que via a meninada fazer.

Vanderlei Luxemburgo apostava no segundo tempo, quando poria cinco jogadores do banco para aproveitar o desgaste do despedaçado rival?

Fato é que, aos 35', o Flamengo finalizara o dobro do adversário, 4 a 2.

Aos 38', outra vez Weverton evitou o 1 a 0, em chute de curva de Arrascaeta que, aliás, tinha Pedro livre para fazer o passe.

Aos 47', Hugo fez ótima defesa, a primeira, em chute de Zé Rafael.

O primeiro tempo, com cartão amarelo para Felipe Melo para variar, terminou sem gols, mas com o Flamengo bem melhor que o Palmeiras.

Porca miséria!

Raphael Veiga e Willian entraram para o segundo tempo, nos lugares dos Gabriéis.

O Palmeiras voltou mais intenso e teve sorte, aos 10'.

Patrick de Paula arriscou de fora da área, a bola desviou em Thiago Maia e matou Hugo: 1 a 0.

Era para a meninada sentir, certo?

Errado!

No mesmo minuto, Arrascaeta cruzou pela direita, Felipe Melo falhou, e Pedro não perdoou: 1 a 1.

Aos 13', Hugo fez milagre em cabeçada de Luis Adriano.

Deve ser o reserva de Diego Alves.

O jogo estava eletrizante.

Rony no lugar de Lucas Lima para evitar o vexame.

Aos 20', os anfitriões eram só pressão, desorganizados, mas fortes.

O Palmeiras goleava em cartões amarelos: 4 a 1 — Gabriel Menino, Felipe Melo, Lucas Lima, Zé Rafael e João Lucas.

Aos 23', incrível a chance perdida por Arrascaeta, em tarde de gala, só faltava o golo para coroá-la. Comandante!

Aos 25', Richard Rios, colombiano de 20 anos, no lugar de Guilherme Bala, e Bruno Henrique no lugar de Zé Rafael.

Como o Palmeiras se mandava para frente meio sem juízo, o Flamengo se aproveitava dos espaços e era mais perigoso em jogo que merecia estádio lotado.

Lázaro, 18, substituiu Lincoln, machucado.

A garotada começava a dar sinais de esgotamento, com cãimbras sucessivas.

João Lucas também teve de sair para Yuri, 19, jogar.

O Flamengo fazia uma apresentação épica.

Os chinelões alviverdes não davam conta de vencer os fraldinhas rubro-negros, apesar da óbvia superioridade física que, no fim do jogo, permitia aos adultos ganhar quase todas as divididas.

Nem por isso o Flamengo deixava de buscar a vitória.

O empate, no entanto, vale como vitória ao Flamengo e soa como derrota ao Palmeiras.

O que dirá Vanderlei Luxemburgo?

Que o Palmeiras segue invicto? E basta? Sete empates em 11 jogos!

Ah, sim, está no G4, embora o Santos possa desalojá-lo daqui a poucas horas, mas já cinco pontos atrás do líder Galo.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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