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Rei Neymar

Juca Kfouri

12/08/2020 18h54

POR FABRICIO CARPINEJAR

O invejoso vai apontar os três lances perdidos de Neymar na vitória de Paris Saint-Germain de virada contra o Atalanta, que garantiu a passagem do time francês para a semifinal da Liga dos Campeões.

Mas olho gordo não enxerga nada.

Neymar foi um titã. Carregou a equipe nas costas. Não desistiu até o último minuto. Buscou o jogo, o resultado, a responsabilidade para si.

Driblou com uma facilidade inverossímil entre quatro defensores, recebeu saraivadas de faltas e não pipocou, sorteou passes de efeito, movimentou-se verticalmente, fazendo assombro, janelando, humilhando com lançamentos onde a bola não julgava ser possível nascer, começou as jogadas dos dois gols, foi garçom letal de Marquinhos e para assistência de Mbappé.

É como se pudéssemos testemunhar um Garrincha em alta velocidade. Ele não para, não faz mímica, não finta na imobilidade de toureiro de Mané, parte em disparada ziguezagueando, como um touro ferido. Parece que não vai conseguir, que perderá o domínio, o equilíbrio, que tombará na centopeia de pernas em sua frente e abre espaço por dentro, divinamente.

Garrincha é cinema mudo, Neymar é tevê em alta definição.

Seu desembaraço lembrou também Ronaldinho Gaúcho no auge, quando era jovem, tirando proveito da linha lateral para invadir pelo meio.

Pena que não haverá eleição de melhor do mundo neste ano devido à pandemia. Porque seria Neymar. Era para ser Neymar. O menino está em casa – o adulto desencantou em campo. Até Messi concordaria.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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