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PSG vira em dois minutos e segue sonhando

Juca Kfouri

12/08/2020 17h57

Meu Deus, que inveja!

No segundo minuto o goleiro Navas defendeu o que seria o gol do Atalanta.

No terceiro, Neymar puxou o contra-ataque, recebeu de volta, arrancou da intermediária italiana, ficou cara a cara com o goleiro e chutou muuuuito para fora.

INACREDITÁVEL!

Mas já não dava para tirar o olho da tela, apesar de ter de escrever.

André Henning e o ex-goleiro Júlio César, narrador e o ex-goleiro e comentarista do Esporte Interativo, valorizaram a saída de Marco Sportiello, de fato, muito boa.

Mas Neymar desperdiçou.

O Atalanta não estava nem aí para o PSG e, aos 10', Navas fez uma defesaça, além de outra, aí milagraço, aos 11', embora fosse marcado impedimento do cabeceador.

O Estádio da Luz, em Lisboa, era palco de ótimo jogo, aberto, lá e cá, o gol como objetivo, como tem de ser.

Aos 18', Neymar, que estava com o diabo no corpo, teve outra chance pela esquerda e, entre chutar e passar, não fez uma coisa nem outra.

O campeão francês e o terceiro colocado no Campeonato Italiano, 15 pontos atrás da Juventus, não permitiam prognósticos.

Mbappé estava no banco e pôs as mãos na cabeça ao ver o gol perdido pelo companheiro brasileiro que, diga-se, estava imparável.

Só que, aos 26', foi Pasalic quem abriu o placar, num golaço: 1 a 0 para o azarão.

Neymar respondeu no minuto seguinte ao canetar o croata Pasalic e chutar rente à trave da entrada da área.

Meu Deus, que jogo, que inveja!

O Atalanta não deu o menor sinal de garantir o resultado, ao contrário, queria mais.

Só Neymar levava perigo, embora, estranhamente, errava todas as finalizações como se fosse um juvenil ansioso.

Parecia inevitável a entrada de Mbappé no segundo tempo.

Porque o Atalanta terminou o primeiro mais perto de ampliar do que de sofrer o empate.

E o único representante italiano nas quartas de final da Champions começou a etapa final como terminou a inicial, em busca de fazer 2 a 0.

Mpabbé seguia no banco…

Sei não, mister Thomas Tuchel…

Neymar seguia distribuindo canetas e passes precisos, mas não encontrava companhia.

E Mbappé no banco…

A irritação que, suponho, tomava conta da torcida parisiense, tomava conta do gramado, com os jogadores franceses abrindo a caixa de ferramentas.

Aos 58', enfim, Mbappé entrou no lugar de Sarabia.

Gómez e Djimsiti saíram e entraram Malinovski e Palomino, também aos 58', no bravíssimo Atalanta.

Quando a metade do segundo tempo chegou, com os italianos mais fechados, o sonho franco-catari-brasileiro escapava pelos dedos.

O pior é que Neymar, embora com boa participação, perdeu dois gols imperdíveis.

Herrera saiu para Draxler jogar e Guedes deu lugar a Paredes no PSG.

Aos 73' chegou a vez de Mbappé ver o goleiro Sportiello crescer para cima dele e evitar o empate.

Mbappé infernizava a defesa italiana e Neymar seguia irreconhecível no arremate, ora para longe, ora fraco.

E como miséria pouca é bobagem, o goleiro Navas se machucou e Rico o substituiu, aos 78'.

Aos 80', Palomino evitou o gol de Mbappé.

Icardi já tinha sido trocado por Choupo-Moting, no PSG.

Zapata e Gosens saíram e Castagne e Da Riva entraram, últimas trocas do Atalanta.

Dava para cortar o ar com uma faca no Estádio da Luz, só não podia cortar a luz.

E, aos 89'40', Neymar teve dividido o chute na cara do gol, a bola espremida sobrou para o ex-corintiano Marquinhos empatar.

Aos 90', a virada sensacional.

Neymar para Mbappé, deste para Choupo-Moting fazer 2 a 1.

Aos 96', Marquinhos impediu o empate.

O sonho francês não acabou.

Meu Deus, que inveja!

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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