Gilmar, 90
Por ROBERTO VIEIRA
Gilmar não era trágico como Barbosa.
Gilmar não era furioso como Yustrich.
Gilmar não era sortudo como Castilho.
Gilmar não tinha nome folclórico como Batatais e Cabeção.
Gilmar não era espetacular como Veludo.
Gilmar não era milagroso e cinematográfico como Manga.
Gilmar não era aéreo como Pompéia.
Gilmar não era Picasso nem Félix.
Gilmar não era monstruoso como Lula.
Gilmar não era tão galã como Ado.
Gilmar não ganhou títulos no Corinthians como Dida.
Gilmar não brigava com a zaga como Leão.
Gilmar não ganhou gritos de narrador como Taffarel.
Gilmar não cruzou o Rubicão como Alisson e Júlio César.
Mas Gilmar foi vaiado e xingado como todos os goleiros desse planeta.
O que para Gilmar nunca significou nada.
Todos esses goleiros do texto fizeram mil defesas fantásticas.
Porque fazer mil defesas é fácil.
Mas, parodiando Mestre Carlos Drummond de Andrade.
Difícil mesmo é fazer uma simples defesa como Gilmar.
O maior goleiro da história do futebol brasileiro.
Até o final dos tempos.
Gilmar que hoje completaria 90 anos de idade.



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