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Uma vez Flamengo? 36 vezes Flamengo!

Juca Kfouri

15/07/2020 22h13

Durante o primeiro tempo no Maracanã o Sistema Bolsonaro de Televisão anunciou diversas vezes que "só no SBT você a decisão do Campeonato Carioca".

Não era verdade.

Você poderia ver também na Fla TV, e 1.280.000 rubros-negros faziam exatamente isso.

E viam o Flamengo mandar no jogo, sem no entanto conseguir vazar o gol tricolor.

Ameaçou com chances reais pelo menos quatro vezes, embora por duas oportunidades, em contra-ataques, o Fluminense tenha criado boas chances de gol.

Difícil imaginar, no intervalo, que o Flu resistiria, ainda mais porque, a julgar pelos dois jogos anteriores, o cansaço chegaria ali pela metade da etapa final.

E o desgaste de quem correu atrás durante todos os primeiros 45 minutos deveria ser fatal.

Até porque o Fla jogava pelo empate e o Flu teria de sair mais.

Gerson gastava a bola e o Flu abusava de quebrá-la, expediente para se livrar da pressão permanente na saída de bola.

Logo aos 5 minutos o Flamengo teve de trocar Filipe Luís por Renê.

Aos 15', trocou Arrascaeta por Michael, porque quis e precisava para botar fogo que ficou morno.

Já o Flu, ao mesmo tempo, pôs Fernando Pacheco e Michel Araujo, um peruano e um uruguaio, nos lugares de Gilberto e Marcos Paulo.

Caio Paulista e Paulo Henrique Ganso no jogo, aos 27', nos lugares de Evanilson e Yago Felipe.

Aos 30' tanto Muriel quanto Diego Alves eram os chamados espectadores privilegiados da final, porque não tinham o menor trabalho, o que interessava ao Fla e não interessava ao Flu.

O 36º título carioca do Flamengo pintava lenta, segura e gradualmente.

Mais de 1 milhão e 365 mil rubro-negros seguiam firmes na TV Fla.

Aos 40', Fellipe Cardoso entrou e Dodi saiu.

No minuto seguinte, Diego, Vitinho e Gustavo Henrique, substituíram Gerson, Pedro e Rafinha.

Um Flamengo longe de ser o Flamengo de 2019, ganhava seu terceiro título em 2020.

Era só o que a Nação queria?

Não. Quer também a permanência de Jorge Jesus.

A Fla TV fechava o jogo, aos 45', com 1.397.173 espectadores, quando se anunciou mais seis minutos de acréscimos.

No minuto seguinte já eram 1.411.792…

O SBT, que bateu a Globo no Rio por 27 a 25, não anunciava mais a exclusividade. Melhor assim.

Em São Paulo, a Globo goleou por 31 a 11.

Mas melhor mesmo, para os rubro-negros, era o grito de campeão.

Que ficou ainda mais gostoso com o gol, aos 49', de Vitinho, em bola roubada por ele e desviada por Matheus Ferraz : 1 a 0!

Michael deu uma provocada final e Hudson perdeu a cabeça.

Bobagem de Hudson. Só pôs mais pilha no título do rival.

Título de bicampeonato que os jogadores rubro-negros comemoraram discretamente.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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