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O Fluminense dá lição e é campeão

Juca Kfouri

08/07/2020 23h44

O Fluminense ficou 306 minutos sem marcar nem um gol.

Mas aos 37 minutos de jogo contra o Flamengo preguiçoso e impotente, Gilberto ganhou no alto da zaga rubro-negra e fez o tento que daria a Taça Rio ao Tricolor.

Já havia criado duas chances, com o próprio Gilberto e com Yago Felipe, a primeira em cabeçada defendida por Diego Alves, a segunda em chute rente à trave.

E merecia a vantagem mínima.

Difícil imaginar que o segundo tempo seria tão ruim, tão irreconhecível.

Evanilson não voltou para o segundo, trocado pelo peruano Fernando Pacheco.

A TV Flu superava os 2 milhões e 200 mil espectadores via Youtube do jogo entre Flamengo x Boavista, ao transmitir com exclusividade o clássico, em humilhante, e justa, derrota da cartolagem rubro-negra.

Eram 3 milhões e 300 mil de pessoas vendo o jogo, a maior parte duplamente a contragosto: na TV rival e com derrota.

Mas quem perdia mesmo era o telespectador, porque, ridiculamente, o narrador quase não falava o nome dos jogadores do Flamengo.

Provincianismo pouco é bobagem.

Obviamente o Tricolor voltou com todo o time atrás da linha da bola, retranca à moda gaúcha, de Odair Hellmann.

O jogo era surpreendentemente ruim, desses de fazer Jorge Jesus pensar no Benfica.

Claro que para o Fluminense era surpreendentemente ótimo e, aos 20', Yago Felipe saiu para Yuri Oliveira jogar. Seis por meia-dúzia, Y por Y.

Um minuto antes da troca, Gerson errou a cabeçada que valeria o empate, na primeira chance rubro-negra.

Em seguida, Michael, que a repórter chamou de Maicol, substituiu Everton Ribeiro.

O Flamengo impunha o chamado domínio estéril e aos 28' trocou Arrascaeta por Pedro, em busca da lei do ex.

Caio Paulista substituiu Marcos Paulo no Flu ao mesmo tempo.

E, aos 32', na primeira participação de Pedro, Felipe Luis, recebeu de Michael, pôs a bola na cabeça dele e o artilheiro empatou.

Mesmo jogando pedregulhos, o Flamengo castigava a covardia do time das Laranjeiras, para decepção do imparcial narrador.

JJ olhou para dentro de si mesmo e pensou: "O gajo Michael começou a jogada e o gajo Pedro completou. Quem os botou no jogo? Ora, o Mister", já pensando bem do Mengo.

Aos 39', Bruno Henrique deixou de virar por pegar mal na bola, como não é habitual. No mesmo minuto, Hudson salvou a virada na linha fatal, em cabeçada certeira do mesmo Bruno Henrique.

O Flamengo já fazia por evitar os pênaltis.

No Fla, Bruno Henrique saiu, Vitinho entrou, Gerson foi embora, Diego chegou; e, no Flu, Gilberto deu lugar a Michel Araújo, aos 42'.

O Flu sonhava com os pênaltis. O Fla fazia por vencer, vencer e vencer.

Mas empatou, empatou e empatou.

Os goleiros, enfim, teriam trabalho.

Nenê fez 1 a 0.

Gabigol empatou.

Dodi bateu e Diego Alves pegou.

Willian Arão bateu e Muriel pegou.

Hudson fez 2 a 1.

Leo Pereira bateu para fora.

Michel Araújo cobrou, Diego Alves desviou, a bola bateu no travessão, na linha, mas não entrou.

Pedro não perdoou: 2 a 2.

Pacheco fez 3 a 2.

Rafinha bateu e Muriel deu o título da Taça Rio ao Flu.

Que o Flamengo aprenda a lição da humildade.

Mata-mata é assim.

Difícil imaginar que, em mais dois jogos, o título carioca escape do poderoso time da Gávea.

Mas é bom não esquecer do Sobrenatural de Almeida.

Ah, sim, o Gravatinha estava com o uniforme do Muriel.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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