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A senzala dos imigrantes

Juca Kfouri

31/07/2020 22h02

Por ROBERTO VIEIRA

Dois clássicos.

1900 de Bertolucci e Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire. Ambos revelando a servidão de italianos e negros.

Italianos que eram trancafiados por seus patrões até o final do século XX. Negros trancafiados por seus donos até o final do século XX.

Ontem, um Benedetti falou o que não devia na vitória da Ponte Preta. Misturou futebol com senzala.

Mas logo um Benedetti!

O sobrenome Benedetti é antigo e tem conexão na origem com São Benedito. Vem de 'abençoado'. Benedetti, Benito. Um perigo, pois outro Benito já causou confusão demais na Itália.

Pois bem.

Os bravos migrantes italianos vieram ao Novo Mundo por um motivo que não era turismo. Os italianos vieram ao Brasil fugindo da servidão, sendo xingados de carcamanos.

Italianos, alemães, portugueses, espanhóis vieram ocupar o lugar dos escravos. Estes imigrantes sofreram muito. Sua história é bela e, sendo tão bela, não merecia ser jogada na lata de lixo da história num jogo de futebol.

Racismo não combina com filhos de imigrantes. Bertolucci já explicou isso no cinema. Se alguém esqueceu ou preferiu esquecer por se achar oriundo de uma raça superior, basta assistir ao filme.

Vale à pena… capisce? Ainda não?

Então saiba que São Benedito, nascido na Sicília era filho de uma família de escravos.

São Benedito era negro.

São Benedito, o amigo de São Francisco.

Benedito e Benedettis, negros e italianos são todos iguais.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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