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A reação antirracista a um comentário criminoso

Juca Kfouri

31/07/2020 16h26

E disse Fabio Benedetti sobre a expulsão de Marinho, do Santos, durante a transmissão do jogo de ontem contra a Ponte Preta:

"Você é burro, você está na senzala".

Diante da reação dos ouvintes, pediu desculpas. Era tarde demais.

O presidente do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, MARCELO CARVALHO, publicou a nota que segue e o blog assina embaixo:

"As afirmações de Benedetti na transmissão da partida das quartas de final do Campeonato Paulista, entre Santos x Ponte Preta, pela @estádio97 são graves, porém não constituem novidade alguma.

A lógica do não lugar desenvolvida pelo autor Frantz Fanon se expressa e se reforça quase que cotidianamente no mundo do futebol.

Ao jogador negro é "dado" uma certa margem de humanidade, construída a partir da lógica racista que considera o corpo negro apto tão somente às atividades que exigem força e resistência.

Para que este assuma uma posição de responsabilidade (razão), que no caso do futebol se apresenta como a responsabilidade de ganhar a partida, falhar não é permitido.

No momento em que este jogador comete um erro lhe é retirada tal humanidade, de modo que o jogador retorna a condição de "não ser", de objeto totalmente desprovido de razão, assim como afirmou o referido jornalista na frase "você está na senzala, você vai sair do grupo uma semana pra pensar o que você fez".

Assim a falaciosa democracia racial, é desnudada quando o jogador não alcança os objetivos esperados nesta caso são imediatamente animalizados e atacados, para que voltem às posições subalternas e grotescas.

O Observatório, nesta luta incansável contra a discriminação racial, se solidariza com o jogador @marinhoofficial que sofreu um ataque ao vivo em tom de "brincadeira".

Lembramos, racismo não tem graça, por isso ele não poderá nunca ser classificado como uma "brincadeira".

Não basta dizer que não é racista, que tem amigo negro, seja antirracista, não reproduza o erro, não reproduza o que ofende, não reproduza aquilo que fere a alma de um povo".

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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