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Estertores da Lava Jato

Juca Kfouri

29/06/2020 13h31

O fim de semana foi polvilhado de informações acerca do imbróglio PGR x Lava Jato. Vamos em migalhas:

– Integrantes da força-tarefa da operação, no âmbito da PGR, pediram demissão por discordar da chefe em Brasília, a subprocuradora Lindora Araújo.

– O motivo real veio na sequência, quando membros da força-tarefa em Curitiba, segundo informes, acionaram a corregedoria afirmando que Lindora teria surgido na capital paranaense buscando informações de modo irregular. Ou seja, levantaram suspeitas contra a colega, com a mesma leviandade que fizeram com inúmeras pessoas. São craques nisso.

– Augusto Aras minimizou a saída da equipe em Brasília. Lembrou também – isso é importante – que a Lava Jato não é instituição.

– Este informativo, há anos, vem chamando atenção para o fato de que essa história saiu do controle. Força-tarefa, como o próprio nome diz, é algo transitório, é uma força reunida para um fim. Dizer que existe uma força-tarefa para combater a corrupção do país é uma estultice, porque esse é objetivo de todas as instituições.

– Mas por que se deixou criar esse monstro? Por vários motivos, e ainda está para ser escrita essa história. Um deles é a conveniência. Os meninos de Curitiba trabalhavam bem, de modo que o então PGR, pusilânime, se valia do esforço alheio. Vá, jornalista curioso, conferir quantas diárias Dallagnol ganhou para ir a Brasília se reunir com os subprocuradores! Vá conferir quantas vezes ele foi despachar com ministros do STJ e do STF, quando a hierarquia diz que isso seria função dos subprocuradores!

– Com esse acordo tácito de "vocês trabalham e nós todos ficamos com a fama", deixou-se nascer o monstro. Foi assim que surgiram as primeiras "notas públicas" assinadas pela "força-tarefa da Lava Jato", como se isso fosse um ser com pernas próprias.

– Foi assim também que se dissolveu os caracteres dos integrantes, que passaram a se deliciar com a fama e com o ouro que veio na sequência, a partir das centenas de palestras bem remuneradas. Vá, jornalista curioso, apurar quanto os meninos abocanharam com isso. Ah, o vil metal… quando um procurador da República da província sonharia em dar palestras pelo país afora, como se fosse uma celebridade, cobrando dezenas de milhares de reais?

– Quando a PGR se deu conta do que havia sido criado, tentou conter no ponto que lhe cabia: nos recursos financeiros. E o que fazem os meninos? Armam um esquema (como gostosamente dizem nas peças) que é um dos maiores escândalos da história da República, e que ainda vai colocar seus signatários em maus lençóis: trama-se, à sorrelfa, fora do país, uma bilionária instituição a ser gerida por eles próprios, com o dinheiro do crime. Uma verdadeira pândega com o butim. Ou não era isso que se pretendia fazer com a malograda Fundação Lava Jato?

– No caso mais recente, se algum procurador da República tem algo contra a subprocuradora, que apresente as provas. Se não as têm, querer tisnar uma colega com ilações é vergonhoso, imoral e antiético.

Migalhas
29.6

https://m.migalhas.com.br/quentes/329840/crise-na-pgr-lava-jato-nao-e-orgao-autonomo-diz-augusto-aras

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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