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Marcelo Campos Pinto reapareceu

Juca Kfouri

21/05/2020 18h35

Agora só falta o Queiroz!

Porque o ex-poderoso executivo do esporte da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto, reapareceu.

Fez um programa produzido pela Pluri Consultoria, do Paraná, durante duas horas e meia, que pode ser visto AQUI.

Verdade que mais que reaparecer, Campos Pinto parece ter ressuscitado, numa nova persona.

Porque defendendo idéias opostas às que sempre defendeu.

Muitíssimo bem informado, deu um show sobre as tendências da comunicação digital e, sempre articulado, é capaz de convencer um árabe a comprar areia no deserto.

Pecou só uma vez no português ao chamar troféus de troféis, o que acontece nas melhores famílias.

Mas pecou gravemente ao lamentar a implosão do Clube dos 13, por ele articulada com Andrés Sanches e a CBF, ao perceber que não elegeriam Kleber Leite para presidir a então liga dos clubes.

No momento da implosão discutia-se o novo contrato da venda de direitos do Brasileirão e Ataíde Gil Guerreiro, dirigente do São Paulo, em nome do Clube dos 13, havia montado um projeto revolucionário em que se fatiava a negociação por plataformas, coisa que, agora, Campos Pinto defende.

De resto, ele que sempre se opôs aos pontos corridos, à adequação do calendário brasileiro ao mundial, aos torneios regionais, passou a defendê-los com os mesmos argumentos que você sempre leu aqui.

Chegou até a elogiar Mário Celso Petraglia, com quem sempre viveu às turras, e Fábio Koff, que morreu lhe querendo muito mal.

E criticou as federações estaduais, com quem sempre conviveu tão bem, ao dar força aos clubes e estimulá-los a dar o grito de independência.

Eximiu-se de suas responsabilidades ao dizer que apenas cumpria ordens superiores, como se seus chefes entendessem as transações que fazia na CBF, de seu compadre Ricardo Teixeira, na Conmebol e na FIFA, motivo de tantas complicações judiciais até hoje e que impedem tantos de sair do país.

Teria tirado dez se começasse por dizer que era outra pessoa, se reconhecesse seus erros passados, fizesse autocrítica, coisa que parece impossível no Brasil, na política inclusive.

O Marcelo Campos Pinto que reapareceu depois de longo e tenebroso inverno, envelhecido, na verdade, é outro, é o novo Marcelo Campos Pinto.

Aleluia!

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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