Problemas de expressão
Por RAFA KLEIN
Nunca se produziu tanto texto na história da humanidade.
Ok, a maior parte desses textos possuem 140 caracteres, o que não chegaria a ser considerado 'texto' no resto do sistema solar, mas é o que tem pra hoje.
No futebol não é diferente. Opinião virou commodity e todas essas palavras despejadas nas redes acabaram por provocar um desequilíbrio na nossa balança gramatical.
Até por isso, por estarmos produzindo tanto conteúdo, precisamos ser mais rígidos com as palavras e seus significados.
Por exemplo, "professor". Não dá mais pra usar essa palavra como sinônimo de técnico de futebol, sob a pena de desvalorizar ainda mais a profissão. Até porque, nunca se teve notícia de um professor de verdade ter sido recebido ao som de "burro", "burro", "burro".
"Salário" só pode ser usado se for realmente pago. Nos casos em que profissionais não recebem, deveríamos usar "salafrário", que expõe tanto a falta do pagamento, como a incompetência de quem deveria pagar.
A palavra "craque" também vem sofrendo um certo desgaste ao longo dos anos. Hoje em dia, qualquer jogador razoável é chamado de "craque", sem a menor cerimônia. Vamos combinar: Craque é Pelé. Craque é Zidane. Craque é Maradona. Abaixo desse nível pode receber a classificação que quiser: "ótimo", "excelente", "ôto patamar". Mas "craque", deixemos só pros fora-de-série.
E não é só.
"Matador" já deveria ter sido excluída do vocabulário, por razões óbvias. "Calendário" que não respeita datas pode ser tudo, menos "calendário". "Seleção" deveria ser uma escolha entre os melhores, o que não acontece há muito tempo, Fágner e Taison que o digam.
Precisamos ser muito cuidadosos com as palavras que estamos usando. Porque nessa progressão geométrica de posts, textos e conteúdos, corremos o risco de banalizar as expressões e transforma-las em algo inexplicável.
Aliás, "inexplicável" só deveria ser usado no caso dos Estaduais.
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Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/










