PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Categorias

Março acaba mal

Juca Kfouri

30/03/2020 23h37

O dia 30 de março não terminou bem para o país.

O ministério da Defesa publicou nota em que diz ter sido o golpe de 64 "um marco para a democracia".

Que marco, se os brasileiros só voltaram a votar para presidente 25 anos depois, em 1989?!

Soube-se, também, que a ala militar do governo, que é quase o governo inteiro, está de acordo em tornar mais branda a quarentena, ideia apoiada por veículos da imprensa chapa-branca.

Aqui, uma proposta: que todos os jornalistas a favor do abrandamento, saiam de suas casas e voltem às redações.

Porque estão parecendo aqueles treinadores de futebol que quando assumem o papel de comentaristas criticam o futebol retrancado, mas que, quando voltam a dirigir um time jogam só na defesa.

Não custa lembrar que 56 anos atrás, completados nesta terça-feira, a democracia brasileira foi golpeada em nome de evitar o comunismo e a corrupção.

Prometia-se que a eleição presidencial prevista para 1965 seria realizada. Não foi.

Embora o grande favorito fosse Juscelino Kubitscheck, que de comunista não tinha nada e morreu cassado pelos golpistas.

O outro candidato com chances era Carlos Lacerda, de direita, que também morreu cassado.

E a corrupção correu solta protegida pela censura à imprensa.

Foram 434 mortos e desaparecidos entre os que lutaram contra a ditadura, além de milhares torturados nos porões da dita cuja.

O Capitão Corona aposta no quanto pior, melhor.

Estimula a revolta de seu gado para criar clima que justifique o injustificável, a intervenção autoritária.

Não há uma liderança do golpe que tenha ficado bem na História.

Que o Brasil tenha juízo e permaneça em casa a menos que os obscurantistas queiram repetir o inconcebível em pleno século 21.

Porque, nesse caso, valerá o que diz o Hino da Independência: ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

Blog do Juca Kfouri