Beijo na boca
Por ROBERTO VIEIRA
Em tempos de vírus.
Bananas.
Manifestações políticas.
Bolsa em polvorosa.
Não deixa de causar espanto.
Beijo na boca virou manchete.
Como nos tempos Rodrigueanos de beijo no asfalto.
Um beijo de Tevez em Diego.

E nem foi beijo de língua.
Foi mais um encontro de lábios.
Como Cannigia e Diego em 1996.
Mas ali eram tempos doutro milênio.
Wilde na cadeia.
Pecado mortal.
Pois é.
Em tempos de liberdade de expressão.
Tempo de amor livre.
Tempos em que é proibido proibir.
O futebol ganha manchete por um beijo na boca.
Estranho.
Pois um beijo escandaliza.
Mas milhares de balas perdidas.
Crianças pedindo esmola.
Guerras sem fim.
Imigrantes náufragos pelos sete mares.
São normais.
Banais.
Socialmente aceitos no reino da Dinamarca.
Ah, se todos os problemas desse mundo fossem um beijo…
Sobre o Autor
Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/










