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A Copa Rio de 51 vale mais que qualquer Mundial de Clubes

Juca Kfouri

23/03/2020 07h00

Na falta do que fazer, confinado já há oito dias, ocorreu-me o óbvio: reacender a polêmica sobre a Copa Rio de 1951 sem irritar a imensa torcida palmeirense, muito ao contrário.

Eu sempre escrevi que foram os cartolas alviverdes, enciumados pelos títulos mundiais de seus rivais paulistas, que diminuíram façanha.

Transformaram a epopeia alviverde numa reivindicação que virou chacota por parte dos adversários.

Pois embora não a tenha vivido, por tudo que dela sei, acredito não ser exagero dizer que a conquista da Copa Rio 51 é, provavelmente, o maior feito de um clube brasileiro.

Explico: quando o Santos ganhou o primeiro Mundial, em 1962, o Brasil já era bicampeão em 1958/62.

O complexo de vira-latas aludido por Nelson Rodrigues já estava enterrado.

Quando o Flamengo ganhou, em 1981, o Brasil já era tri em 1970, assim como, é claro, o Grêmio, em 1983.

O São Paulo foi bicampeão mundial, em 1993, meses antes do tetra da Seleção e assim por diante.

O Corinthians ganhou seu primeiro Mundial, em 2000, dois anos antes do penta, como o tri tricolor em 2005, o Inter em 2006 e o bi do Corinthians em 2012 vieram depois.

Foram todos títulos gigantescos que confirmaram a hegemonia nacional, de então, no futebol do planeta.

Já a Copa Rio mostrou ao mundo que nosso futebol não era apenas bom, mas que também era capaz de vencer.

Foi o que o Palmeiras fez.

Tão bem feito que não precisa de carimbo oficial.

E deveria ser, também, tão fácil de entender.

Mas não tenho a ilusão de que venha a ser…

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 23 de março de 2020.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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