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Saiu o Fla-Show, entrou o Fla-Coração

Juca Kfouri

20/02/2020 00h29

A 2.850 metros de altitude era previsível que o Flamengo não enfrentasse o Independiente Del Valle com sua intensidade normal.

Sem Gabigol e com Diego para deixar claro que Jorge Jesus queria mais cadência que o artilheiro Pedro, em jogo equilibrado, mas com ligeira vantagem equatoriana, Diego Alves falhou em cobrança de falta por Murillo, aos 19 minutos, e o Flamengo foi para o intervalo perdendo por 1 a 0.

Chegou a empatar com Bruno Henrique logo depois, mas o VAR anulou, embora o brasileiro parecesse em seu campo, portanto, sem impedimento.

O campeão da Copa Sul-Americana vencia o da Libertadores.

Mas faltavam 45 minutos, além, é claro, do jogo de volta, no Maracanã lotado.

Vitinho no jogo, Diego fora.

O Rubro-Negro teria de correr mais. Conseguiria?

A necessidade é a mãe da invenção e o Mengão inventou de pressionar o Del Valle desde o reinício do jogo.

Corria o risco do contra-ataque, mas tinha coragem.

Jorge Jesus ameaçava ter um filho na lateral do gramado.

Ao chegar o 60° minuto o Flamengo pôs a língua de fora e aos 65' Diego Alves evitou o 2 a 0 que já havia ameaçado sair por três vezes.

Eis que, no contra-ataque, Arrascaeta achou Bruno Henrique e ele empatou, mesmo atropelado pelo goleiro: 1 a 1.

O melhor jogador brasileiro da atualidade saiu de campo chorando e foi substituído por Pedro. Uma pena.

O Flamengo nem pôde comemorar o gol, tamanha a preocupação com BH.

Não tinha show, tinha drama, tinha muito coração vermelho e preto.

O empate estaria ótimo sim!

Faltando 15 minutos, o Del Valle não dava folga e o Mengo se virava como podia.

O segundo gol equatoriano parecia iminente.

Os minutos finais seriam do tipo ver com o coração na mão.

Aos 83', Rodrigo Caio também se machucou, sem gravidade, e Thuller o substituiu.

Mas talento é talento.

Everton Ribeiro foi buscar na linha de fundo uma bola perdida, deu para trás e Pedro, e Pedro, e PEDRO virou para 2 a 1, num momento gigantesco.

Time campeão é assim, quando é preciso ganhar com o coração.

Aos 88', porém, um pênalti pra lá de duvidoso de Rafinha foi marcado e Berjerano empatou.

Sacanagem!

O assoprador uruguaio e o VAR resolveram ser caseiros.

Aos 94', o Del Valle jogou o terceiro gol no céu.

Mas no Maracanã o Flamengo leva a taça.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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