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Frango evita zebra em Liverpool

Juca Kfouri

24/02/2020 18h51

Escrevia a nota anterior sobre o Santos quando olhei o relógio e me dei conta que já eram 17h05.

Pensei: "Pronto, já perdi o primeiro gol do Liverpool".

Sintonizei imediatamente na ESPN e estava enganado.

O 1 a 0 sobre o West Ham só saiu aos 6 minutos, em mais um cruzamento de Arnold, na cabeça de Wijnaldum.

Preparei-me para mais uma goleada e o inesperado fez uma surpresa: Diop, de cabeça, vazou Alisson, aos 11': o 18º colocado na Premier League, o primeiro dos três últimos, na zona de queda, 52 pontos a menos que o líder e virtual campeão Liverpool, 20 pontos, com o empate, à frente do Manchester City.

O Liverpool saiu em busca de mais gols, mas levava sustos a cada bola aérea sobre sua área e, aos 35', seguia no surpreendente empate.

Aos 39', em novo cruzamento de Arnold, Van Dijk cabeceou no travessão.

E o primeiro tempo acabou 1 a 1.

O escocês David Moyes, treinador do West Ham, gostaria de propor a Jürgen Klopp que não houvesse o segundo tempo.

O alemão certamente não aceitaria por mais que mantivesse a incrível invencibilidade dos Reds na Premier League, 44 jogos contando o empate até aquele momento, 53 no estádio de Anfield, palco do jogo.

E teria sido má proposta.

Porque, aos 53', o West Ham virou para 2 a 1 com Fornals.

Paulo Andrade anunciava na ESPN a maior zebra da história da Premier League: nunca um time tantos pontos atrás venceu.

Chamberlain no lugar de Keita, imediatamente.

É claro, começou o bombardeio vermelho na área londrina.

A zebra passeava solenemente pela relva impecável de Anfield.

Mas, aos 67', Salah fez o goleiro Fabianski engolir um frangaço — o frango clássico, entre as pernas do goleiro quando se abaixa para fazer fácil defesa.

Desenhava-se nova virada.

Mas era um jogo tão surpreendente que até Arnold bateu mal um escanteio.

E Firmino, embaixo do travessão, jogou de zagueiro, ele que não marca em casa há um tempão.

Aos 80', então, uma bola desviada em chute da intermediária, caiu nos pés de Arnold e ele deu com açúcar para Mané fazer 3 a 2.

Fim de drama.

Cabia mais.

Mas se não é o frango…

E aos 85', veio o 4 a 2, outra vez com Mané, outra vez em passe de Arnold, mas em impedimento pego pelo VAR, milimétrico.

O campeão inglês de 2019/2020 ainda viu Alisson fazer milagre, com a cara e a coragem, aos 88'.

18ª vitória seguida dos Reds, igualando o recorde do Manchester City em 2017/2018.

Difícil acreditar, mas acredite: o Liverpool não vive um bom momento.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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