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Seleçãozinha sofre em jogo ciclotímico

Juca Kfouri

29/01/2020 00h27

Imagine um jogo de várzea.

Daqueles que um time joga como se fosse um bando de malucos e o adversário, diante disso, se assusta, não é capaz de se organizar para conter a maluquice e torna o jogo um hospício.

Assim foi o primeiro tempo de Brasil 3, Bolívia 1, pelo pré-olímpico, com os bolivianos no papel dos doidos e os brasileiros, principalmente os da defesa, incapazes de botá-los na roda.

O zagueiro Bambu, então, esteve simplesmente horroroso.

Antony fez 1 a 0 logo aos 2 minutos em jogada de Paulinho.

Matheus Cunha, em impedimento, recebeu de Reinier e ampliou aos 15', mas a defesa nacional deu uma avenida para a Bolívia diminuir quatro minutos depois.

Acontece que a zaga boliviana dava tantas bolas aos atacantes brasileiros que o lateral Guga se aproveitou para fazer 3 a 1, ainda aos 38'.

André Jardine, difícil saber se por generosidade ou excesso de coragem, deixou em campo Bambu, que é bom jogador, para o segundo tempo.

Fato é que mesmo com três vitórias em três jogos, e já classificada para o quadrangular final, a seleçãozinha ainda está muito longe de mostrar o bom futebol que o treinador prometia, ao permitir ser ameaçada por adversários frágeis como Peru, Uruguai, que perdeu da Bolívia, e a própria Bolívia.

Na sexta-feira a seleçãozinha enfrentará o Paraguai apenas para cumprir tabela.

Talvez por terem percebido o grau de insanidade dos primeiros 45 minutos, os dois técnicos prescreveram uma boa dose de calmantes para seus jogadores e a partida, encerrada a ciclotimia, ficou terrivelmente monótona.

Até que, aos 60', em contra-ataque, Reinier se aproveitou da bagunça defensiva dos rivais e, com finalização imperfeita, viu o goleiro aceitar o 4 a 1.

Jardine dirá e você poderá concordar com ele que reclamar de goleada é coisa de gente muito chata.

Então, paremos por aqui para só voltar se mais gols acontecerem.

E, aos 70, pelo meio da defesa amarela e das pernas de Bambu, a Bolívia diminuiu de novo.

Passou o efeito dos calmantes?

Bem, ao menos, despertou quem via o jogo.

Igor Gomes e Pepê entraram nos lugares de Matheus Cunha e Paulinho.

Mas, aos 78', de cabeça, a Bolívia fez seu terceiro gol: 4 a 3.

A pequena torcida colombiana passou a incentivar o mais fraco, embora seja complicado dizer que o Brasil seja o mais forte com a defesa que tem.

Bruno Fuchs, zagueiro, substituiu Reinier, porque a coisa ficou feia.

In Fuchs we trust?

Se for como o homônimo do STF…

Aos 87', Vaca, o melhor boliviano, pisoteou Antony e recebeu o segundo cartão amarelo.

Vaca foi pro brejo se refrescar mais cedo.

E no quinto minuto dos acréscimos, Pepê fez belíssimo quinto gol: 5 a 3 e fim de papo.

Quer dizer, a Bolívia ainda acertou o travessão brasileiro.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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