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24: número de respeito

Admin

28/01/2020 16h53

"O mito em torno do número 24 é uma grande bobagem que já passou da hora de ser ultrapassada. Precisamos desmitificar isso e aproveitar a ação para debater o preconceito e a intolerância no futebol".

A frase acima é do volante Flávio, do Bahia. O clube divulgou há pouco, em suas redes sociais, um vídeo para uma ação que ocorrerá nesta terça-feira (28).

O jogador vai trocar o número 5 pelo 24 no duelo desta noite, contra o Imperatriz, pela Copa do Nordeste, no Pituaçu.

Embora logo pareça uma justa homenagem ao eternizado Kobe Bryant, a causa do Tricolor de Aço de fato é uma campanha contra a homofobia, idealizada mais uma vez pelo corajoso clube baiano.

A bola da vez é um audacioso passo na luta contra a homofobia no futebol brasileiro, encampada pelo Bahia que, desde 2019, está na linha de frente de campanhas contra o machismo, racismo e homofobia.

O esforço acontece para debater o respeito no futebol e discutir um símbolo dessa agressividade em torno do número 24 entronizado com o lançamento do jogo do bicho, em 1892, como o "numero do veado", animal associado pejorativamente à homossexualidade. Historicamente, o número não existe nos uniformes de futebol masculino numa manifestação implícita contra os homossexuais.

A omissão não acontece só no futebol.

Em 2015, o gabinete 24 foi suprimido no Senado Federal, foi transformado em 26 sem qualquer explicação. Ambiente predominantemente masculino, com baixa representatividade, o fato destacou a institucionalização do preconceito e discriminação. Com a troca de mandato em 2019, a sequência das salas retornou à numeração normal.

"O futebol é um canal que pode servir para acentuar o que há de pior na nossa sociedade, como o racismo, as agressões, a violência e a intolerância, mas também pode servir de uma forma diferente – para espalhar cultura, afeto, sensibilidade, melhoria das relações humanas. Achamos que os clubes têm de escolher se serão canais de amor ou ódio. Escolhemos o amor", afirma Guilherme Bellintani, presidente do Bahia.

Nota do blog:

Lembremos que recentemente o Corinthians trocou o número 24 que Victor Cantillo usava em seu clube a pretexto de lhe dar a 8, como homenagem ao também colombiano Fred Rincón,capitão do time campeão mundial em 2000.

Uma piada sem graça levou o autor, Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol alvinegro, a se desculpar por ter dito que "24 no Corinthians, não!".

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

Blog do Juca Kfouri