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Tricolor foi mais forte que o desbotado Colorado

Juca Kfouri

04/12/2019 23h27

Exigir bom futebol do São Paulo em sua penúltima partida na temporada seria demais para quem pouco mostrou durante o ano inteiro.

Mas jogar com o coração, sim.

E o Tricolor enfrentou o Inter como se fosse sua primeira participação na Libertadores de 2020.

Já o Inter era um arremedo de time.

Tecnicamente péssimo e desfibrado, nem parecia um time gaúcho, dominado, entregue diante do ímpeto paulista no Morumbi que não lotou nem com ingressos a 5 reais, porque o torcedor cansou. Apenas 30.822 pagantes.

Para se ter uma ideia, o Fluminense, lutando no máximo por Copa Sul-Americana, pôs 40 mil torcedores no Maracanã contra o Fortaleza.

Daí ter surgido naturalmente o 1 a 0, em passe de Igor Gomes, depois de roubada de bola de Daniel Alves, para Antony tocar no canto de Marcelo Lomba, aos 15 minutos.

Só aos 39 minutos o Inter levou perigo, quando Nonato tirou tinta da trave de Volpi.

Zé Ricardo pedia calma aos colorados, quando deveria pedir empenho.

Fernando Diniz não pedia nada, porque, suspenso, via o jogo de camarote.

Aos 44', Daniel Alves roubou a bola de Victor Cuesta e deu para Pablo perder gol certo, ao chutar em cima de Lomba.

Pablo parece ter sido um grande negócio para o…Athletico.

Já Alexandre Pato e Hernanes foram ótimos negócios para…eles.

Houve momentos de chanchada em perde e ganha bizarros no meio de campo.

2 a 0, no mínimo, era o placar moral do primeiro tempo.

E logo no terceiro minuto do segundo tempo o 2 a 0 pintou no placar em contra-ataque armado por Tchê Tchê para a velocidade de Antony, que deu para Vitor Bueno ampliar.

O Inter estava grogue, nas cordas, pronto para ser definitivamente nocauteado.

D'Alessandro e Nico Lopez nos lugares de Neilton e Nonato, aos 13'.

Faltava botar Jesus em campo.

Não o Gabriel ou o Jorge. Aquele mesmo.

Repita-se que, pelas campanhas, nem São Paulo, nem Corinthians e nem o Inter merecem estar na Libertadores.

Mas o São Paulo merecia amplamente a vitória sobre o descolorido Colorado.

Aliás, aos 20 minutos da etapa final, o 2 a 0 era pouco, porque só Lomba garantia o placar.

Mas como futebol é futebol, e não está morto quem peleia, Guerrero arrematou da entrada da área, Volpi deu rebote e Guilherme Parede diminuiu: 2 a 1.

Tinha jogo ainda.

E Liziero entrou nele no lugar de Vítor Bueno, aos 24'.

Como se irritado com a injustiça, o São Paulo não sentiu, ao contrário foi à frente em busca do terceiro gol, ao fazer valer a força de suas três cores.

Aos 36', Rafael Sóbis foi o último esforço gaúcho, no lugar de Heitor.

A verdade é que o Inter seguiu sem levar perigo ao gol são-paulino.

Antony fazia um partidaço diante dos olhos de enviados do RB Leipzig.

Luan no lugar de Pablo, aos 39'.

A torcida vaiou porque queria Pato, para que não se sabe.

Igor Gomes saiu e Toró entrou, aos 45'.

Aos 50', Lomba cabeceou e quase empatou em cobrança de escanteio.

Seria heróica injustiça.

O jogo terminou como deveria e o São Paulo ganhou a vaga direta na Libertadores.

O que fará com ela é um mistério.

Mas sejamos otimistas.

Já o Inter terá de torcer para o Goiás não vencer amanhã o Palmeiras, em Campinas.

Se vencer, o Colorado terá de vencer o Galo, no Beira-Rio, para não depender de Goias x Grêmio, no Serra Dourada.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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