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Palmeiras, Corinthians e adeus ao Facebook

Juca Kfouri

06/11/2019 18h53

Por ROBERTO MONTEIRO JR.

"Seu time não vai jogar o campeonato ano que vêm! Vai fazer 18 anos na fila e vai servir o exército."

Pois é. Início dos anos 1990.

O Corinthians campeão brasileiro, o São Paulo bi da Libertadores e Mundial, Brasil de Lazaroni e Dunga eliminado pela Argentina de Caniggia e Maradona. E o meu Palmeiras… Só em 1993 a redenção.

Até hoje lembro aquele primeiro título paulista que vi.

Muitos "viraram a casaca".

Ser uma criança palmeirense, torcedor da seleção brasileira, naquela época, era um ato de resistência. Mas os anos de 1993 e 1994 lavaram a alma.

Ok, em 94 o Senna… Ah, deixa para outro texto.

Mas nunca pensei em mudar de time.

Confesso que, até hoje, só por dois momentos tive inveja do Corinthians. A saber:

o primeiro gol do Ronaldo com a camisa do Corinthians, justo num clássico contra o Palmeiras, sendo que logo antes ele tinha metido uma bola na trave.

Era Keirrison no Palmeiras contra Ronaldo no Corinthians…;

o segundo gol do Ronaldo na final do Paulista do mesmo ano, por cobertura, contra o Santos. Gênio. Como na narração de Nilson César, até o Pelé levantou e aplaudiu.

Corto para 2018. Um título do Campeonato Brasileiro do Palmeiras.

Com Felipe Melo em campo, o patrocinador homenageando o capitão, o presidente eleito, que entregou o troféu de campeão.

Desliguei a TV. Não dava pra comemorar aquilo.

Então a vida traz um terceiro momento.

Nesses tempos em que o Facebook, WhatsApp e Instagram inclusos, é o fiel retrato do que é a discussão política, um grande Palmeiras e Corinthians, na pior conotação, tive inveja, muita inveja do Corithians.

Hoje o Sport Clube Corinthians Paulista, como li no blog do Juca Kfouri, "entrará em campo para enfrentar o Fortaleza com uma estrela amarela na camisa, para lembrar a data que jamais deverá ser esquecida, a chamada Noite dos Cristais, quando começou a perseguição dos nazistas aos judeus, na noite de 9 de outubro de 1938".

Sutil. Genial. Obrigatório nesse Brasil de 2019.

Salve o Cortinthians. Um bando de loucos. Ainda bem, porque ser "normal" hoje é atestado de insanidade.

Perdi a vontade de ver jogos dos Palmeiras e de frequentar mídias sociais.

Adeus Facebook.

PS: Jamais vou virar corintiano. Um homem pode trocar qualquer coisa, menos seu time do coração. Dele se afasta às vezes. Mas volta… sempre volta… afinal, tudo passa.

PS2: Este texto, no FB, permanecerá por apenas 48 horas e o perfil será deletado. Quer falar comigo?robertomojr@gmail.com

*Roberto Monteiro Jr. é palmeirense e uma pessoa "que quando for perguntado pela Julia e pelo Leo, seus filhos gêmeos de 3 anos, onde estava em 2019, gostaria de não ter vergonha de dizer."

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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