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Clássico dos Milhões de gols no Maracanã!

Juca Kfouri

13/11/2019 23h27

É patético!

O narrador anuncia: "Neste momento está sendo guardado um minuto de silêncio".

E cala.

E quem está vendo o jogo pela TV ouve a torcida do Flamengo entoando a plenos pulmões os cantos do clube, como fez, aliás, durante a execução do Hino Nacional.

Será que um dia veremos o fim de tanto desrespeito?

E olhe que seria fácil.

Bastaria cessar a banalização de um e de outro, guardados apenas para momentos especiais.

É fabuloso!

Com menos de um minuto de barulho o Flamengo já estava vencendo o Vasco.

O menino Reinier arrancou espetacularmente pela esquerda, cruzou para trás, Gabigol ajeitou para Everton Ribeiro e o capitão rubro-negro fez 1 a 0 aos 37 segundos.

Jorge Jesus havia acabado de dizer que pusera Reinier no lugar de Arrascaeta por confiar no garoto…

Acabou o Vasco?

Nada!

Em seguida Marrony exigiu boa defesa de Diego Alves em cabeçada certeira.

O Vasco completava 14 jogos sem vencer o rival, mas, sem se intimidar, buscava empatar.

Era até mais perigoso que o Flamengo.

Prova disso estava no comportamento de Jesus, mais pistola que de costume, indignado com a pressão cruzmaltina.

E aos 33 minutos aconteceu o empate!

Marrony completou contra-ataque perfeito de pé em pé até chegar ao 1 a 1.

Rodrigo Caio tinha ido à frente e abriu o espaço para o contra-ataque.

Era justo e ficou espetacular quando Rodrigo Caio, dois minutos depois, derrubou Pikachu dentro da área depois que o vascaíno dera uma caneta em Pablo Marí.

Pikachu bateu o pênalti e virou o jogo: 2 a 1!

A pequena torcida do time da Colina foi à loucura e a grande, que não foi ao Maracanã, se mordia em casa de raiva por não ter ido.

Era a pior situação vivida pelo Flamengo desde a derrota por 3 a 0 para o Bahia.

Rafinha e Rossi se desentenderam e o lateral fez cena simulando ter levado uma cabeçada, aos 40'.

O que começou como aparente massacre virava um drama para o líder do Brasileirão e partida histórica para o Vasco e para Vanderlei Luxemburgo, que via seu time emparedar o adversário.

Aos 49', um castigo que o Vasco merecia.

Em cobrança de falta discutível que aparentava ser batida por Willian Arão ou Gabigol, a bola foi tocada pelo artilheiro para Rafinha que bateu cruzado e Danilo Barcelos desviou para dentro do gol: 2 a 2.

Sorte de campeão!

O Flamengo abriu o placar no primeiro minuto e empatou no último da etapa inicial.

Sim, o segundo tempo prometia e o Flamengo teria de melhorar muito para dar conta do Vasco, no mínimo descer do salto e mostrar a mesma abnegação dos rivais.

De Arrascaeta voltou do intervalo no lugar de Reinier.

Sangue uruguaio para vitaminar o líder.

Aliás, cá entre nós, parece que o Flamengo aplicou para cima da seleção uruguaia, no que fez muito bem…

E o Flamengo começou o segundo tempo com a corda toda.

Só que nova grande jogada de Pikachu resultou em passe para Rossi e dele para Marco Junior fazer 3 a 2, aos 6 minutos.

Cadê Rodrigo Caio e Marí?

Ouvia-se, enfim, a torcida vascaína no Maracanã.

Admirável, que o Vasco seguiu no ataque, sem dar trégua.

E Bruno Henrique, apagado, resolveu aparecer com duas arrancadas perigosas.

O Clássico dos Milhões, aos poucos, adquiria feições de Gre-Nal.

Pois foi Bruno Henrique quem, aos 19', pegou a bola no meio de campo, desceu a mil por hora, abriu na esquerda para Arrascaeta e recebeu de volta para fazer 3 a 3!

Na jogada anterior, Rafinha saiu jogando errado e o Vasco desperdiçou o quarto gol.

Se o jogo era bom?

Era pura emoção, embora com muitos erros, tantos que Gabigol e Bruno Henrique perderam o 4 a 3, o primeiro por furar na cara do gol e o segundo, no mesmo lance, ao chutar por cima, aos 25'.

Nada indicava que o 3 a 3 permaneceria.

Gerson e Willian Arão estão suspensos do jogo contra o Grêmio.

Aos 32', outra vez Gabigol desperdiçou a virada e Gerson e Marcos Júnior deixaram o campo para as entradas de Vitinho e Bruno César.

Aos 35', na primeira jogada de Vitinho, pela direita, ele deixou dois vascaínos sem pai nem mãe e cruzou para Gabigol dar de cabeça para Bruno Henrique pegar de sem-pulo e, enfim, botar de novo o Flamengo na frente, no clássico do vira-vira: 4 a 3!

Marrony saiu e Ribamar entrou.

A diferença era óbvia: sobram talentos na Gávea. Talentos decisivos.

Mais de 52 mil torcedores viram o Flamengo até dar chutão para manter a vitória que, certamente, os rubro-negros imaginaram que seria muito mais fácil.

Piris da Motta no lugar de Everton Ribeiro para fechar, aos 42'.

Aos 43', Diego Alves evitou novo empate em tirambaço de Ribamar.

Gabriel Pec no lugar de Raul.

E, aos 47', Ribamar ganhou de Rodrigo Caio e Diego Alves pelo alto e empatou tudo outra vez: 4 a 4!

Sim, era muito justo.

E foi!

O tempo deu uma fechada ao fim do Clássico dos Gols.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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