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Flamengo resiste, sem cera, e deixa Palmeiras e Santos na poeira

Juca Kfouri

13/10/2019 17h59

O goleiro Léo, do Athletico, só podia estar com má consciência ao dar a bola para Bruno Henrique abrir a contagem na Arena da Baixada, já no fim do primeiro tempo.

Porque ele sabia que a volta atrás do pênalti em Lucas Silva minutos antes havia sido mais um crime do VAR brasileiro, com a cumplicidade de um assoprador de apito sem personalidade, a ponto de voltar atrás numa marcação correta.

O presidente do Palmeiras deve ter ligado para o santista e ambos se parabenizaram: a pressão deu certo no incompetente comandante do VAR, da Federação Paulista de Futebol…

Assim o Flamengo foi para o vestiário no intervalo com oito pontos à frente do Palmeiras e dez do Santos que empatava com o Inter, num sofrível 0 a 0, no Beira-Rio vazio, com 11.363 pagantes, placar final.

Não que o Athletico merecesse, porque em mais uma bela atuação, foi capaz de fazer o Flamengo sofrer, em 45 minutos de chumbo trocado, lá e cá, com chances alternadas, mais para o rubro-negro paranaense, três a duas, até o gol.

Um jogo de futebol que não tinha nada a ver com o que Brasil e Nigéria fizeram pela manhã.

A marcação alta do time carioca já tinha quase dado certo uma vez e na segunda resultou no gol deste iluminado Bruno Henrique.

O segundo tempo começou com Thonny Anderson roubando bola de Willian Arão e Diego Alves, o nome do jogo, fazendo milagre para evitar o empate. E com alteração nas laterais dos dois times: Adriano no lugar Márcio Azevedo e João Lucas no de Rafinha, machucado.

O Furacão voltou forte, machucando o Mengão e empurrando o líder para dentro de sua área.

Rony fazia uma festa em cima do jovem João Lucas e Jorge Jesus recebia cartão amarelo, nervoso com a superioridade atleticana.

Bruno Henrique e Everton Ribeiro também foram amarelados e estão fora do jogo contra o Fortaleza, no Castelão, que poderá ter o Gabigol de volta.

As chances atleticanas se sucediam numa pressão alucinante, mas a pontaria deixava a desejar.

Aos 7', saiu Rodolfo e entrou Matheus Thuler, no Fla.

Estava complicado manter o 1 a 0 com sua defesa praticamente reserva, exceção feita a Diego Alves e Pablo Mari.

Tiago Nunes reforçou o ataque com Marco Rubén e Jorge Jesus a defesa com Piris da Motta. Saíram, aos 18', Lucho González e Lucas Silva.

O goleiro Léo via o jogo sem trabalhar enquanto o Flamengo ia conseguindo sua primeira vitória desde a inauguração da Arena da Baixada, pelo Brasileirão, em 1999.

Marcelo Cirino deu lugar a Everton Felipe, aos 27'.

No minuto seguinte, o Flamengo armou sua primeira jogada no ataque e Everton Ribeiro a desperdiçou, mas com impedimento assinalado.

O Flamengo resistia e, importante, não fazia cera.

À medida que o fim do jogo se aproximava, o Flamengo conseguia sair das cordas, para usar a expressão de Jorge Jesus.

Ganhar no gramado da Baixada, diante de 25.473 torcedores, de um time como o do Athletico e tão desfalcado, convenhamos, é proeza digna de quem merece ser heptacampeão.

Ainda mais porque, aos 45', Renê cruzou rasteiro e Bruno Henrique, o outro nome do jogo, fez mais um grande gol: 2 a 0.

O empate até seria justo, não fosse o pênalti desmarcado contra os anfitriões pelo VAR brasileiro, caseiro e sob desconfiança.

Em tempo: o sítio esportivo mais importante de Portugal seguiu o jogo minuto a minuto. O Flamengo é o time mais português do mundo fora de Portugal.

"Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso Portugal".

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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