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Palmeiras vira com justiça como Felipão não conseguiu

Juca Kfouri

07/09/2019 23h03

Nas costas de suas camisas o Goiás traz estampada a frase "Sou Verdão".

Com todo respeito, e que desculpem os goianos, Verdão é o Palmeiras.

Esmeraldino fica melhor para o Goiás.

Todo de branco, o Palmeiras não deu bola por estar no Serra Dourada ( 15.226 pagantes / 17.115 presentes) e tratou de ir à frente na estreia de Mano Menezes, em busca do terceiro lugar.

Todo de verde, o Goiás explorava a habilidade dribladora de Michael que logo de cara deixou Diogo Barbosa sem pai nem mãe na lateral-esquerda.

Mas foi com um tirambaço da intermediária, sem ninguém a marcá-lo, que Rafael Vaz surpreendeu o goleiro Jaílson para fazer 1 a 0, aos 20 minutos, com a bola ainda resvalando no travessão.

O Esmeraldino saía na frente do Verdão e Mano Menezes era amarelado pela arbitragem.

Conseguiria ele o que Felipão não conseguiu nenhuma vez em mais de um ano e três meses, isto é, levar o time a virar o resultado?

Tempo havia e de sobra.

E, aos 29', Luan já teve a chance do empate pela esquerda, mas permitiu que o goleiro Tadeu evitasse.

Quatro minutos depois, pela direita, foi a vez de Dudu ver Tadeu impedir o 1 a 1.

Mas o empate amadurecia.

Aos 36', Zé Rafael fez cruzamento bisonho em nova jogada que poderia ser fatal.

"Vamos virar Porco", incentivava a torcida palmeirense no estádio, aparentemente em maioria.

E o empate veio, mas com falta de Luiz Adriano, e foi bem anulado.

O Palmeiras foi dominante, mas não conseguiu o 1 a 1 para ir mais tranquilo para o intervalo.

O que Mano faria nos vestiários?

Deve ter falado muito, mas não trocou nada.

A pressão palmeirense nos cinco primeiros minutos levou Ney Franco a fazer sua segunda alteração, ao sacar Alan Ruschel e botar Jefferson no jogo, ele que, no intervalo havia trocado Yago Felipe por Daniel Guedes.

Um choque fortíssimo de cabeças entre o goleiro Tadeu e Zé Rafael obrigou a entrada de ambulância no gramado e a substituição de ambos, por Marcos e Willian Bigode.

Depois de seis minutos de paralisação, o jogo recomeçou e logo Mano Menezes chamou Lucas Lima para substituir Ramires que, de fato, pouco fizera, aos 18'.

O Palmeiras tinha a bola o tempo todo e o Goiás só se defendia, convidando o adversário ao empate. E fazia cera.

Aos 24', Willian chegou a pedir gol em bola que o zagueiro Fábio Sanchez salvou na linha fatal.

Aos 26', saiu Luiz Adriano e entrou Borja.

Mano deve ter pensado: "Já imaginou se Borja faz um gol com passe de Lucas Lima, dois proscritos pelo Felipão. Eu se consagro", com diria o narrador Milton Leite.

Na primeira participação do colombiano, em bola passada por Dudu, de carrinho, na pequena área, ele tirou tinta da trave.

A bola insistia em castigar o Palmeiras que já criara o suficiente para virar o jogo, mas seguia perdendo.

O Goiás queria porque queria tomar o gol.

O Goiás que levou de meia dúzia tanto do Flamengo quanto do Santos, os dois que estão à frente do Palmeiras com um jogo a menos.

Willian, enfim, empatou, aos 36', em passe de Scarpa, o VAR fez suspense, mas confirmou o gol: 1 a 1.

O Palmeiras tinha tudo para virar porque o jogo deveria ir, no mínimo, aos 55 minutos.

Dudu teve a chance logo aos 39', mas pegou muito mal na bola.

Ficava clara a diferença entre o Palmeiras e o Flamengo: TALENTO.

O empate deixava o Verdão nove pontos atrás do líder e mesmo se viesse a vencer o Fluminense, na terça-feira, na casa verde, a diferença seria de duas rodadas.

Dudu lutava feito um leão e Lucas Lima conseguiu ser expulso de campo ao pegar Michael com violência, como se fosse Felipe Melo, aos 45'. Um Jênio!

Com dez jogadores, o Palmeiras tinha ainda oito minutos para tentar quebrar o jejum de sete jogos sem vitória no Brasileirão.

Só que sobrava espaço para o Goiás buscar os contra-ataques e, em cobrança de falta por Renatinho, o goleiro Jaílson fez senhora defesa para evitar o gol goiano. A bola ainda bateu na trave…

Mas, aos 55', Justiça!

O goleiro Marcos saiu mal do gol em cobrança de lateral, Borja, caído, deu meio sem querer para Scarpa e ele fez a virada miraculosa: 2 a 1!

Goleiros Marcos sempre são bem-vindos na vida palmeirense.

O Palmeiras ocupa o terceiro lugar e desaloja o rival Corinthians.

Fica potencialmente a três pontos do Flamengo.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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