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Náutico e Paysandu resgatam o futebol sem o VAR

Juca Kfouri

09/09/2019 11h00

Por ANTONIO CARLOS SALLES*

A decisão ontem entre dois dos mais tradicionais times de futebol do Norte e do Nordeste, assim como os outros jogos que definiram os acessos à Série B (ainda há uma partida hoje), deram aos torcedores novamente a emoção de um jogo sem os recursos tecnológico do VAR.

Eu já tinha esquecido como é bom um jogo corrido, polêmico, com jogadores batendo boca com árbitro e auxiliares, questionado suas decisões, com o banco de reservas implicando com o auxiliar, porque estamos perdendo o gosto de ver um jogo-raiz, como sempre foi o futebol, onde todos em campo assumem as consequências de seus atos.

Para o bem e para o mal.

Nostalgia? Definitivamente não porque sou da geração onde a tecnologia refina o que escapa ao espectro humano e amplia a relação ciência-sociedade ás adequações e necessidades de cada um.

O jogo em que o Paysandu abriu dois a zero e cedeu empate nos segundos finais dos acréscimo, levando a decisão a uma das vagas da B para os penalties, foi tomada pelo árbitro Leandro Vuaden por sua conta, risco e capacidade de decidir na hora em que o lance aconteceu, por mais polêmica, chata e decepcionante que me tenha sido, como torcedor do Paysandu.

Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O "olho no lannnceee", marca registrado do lendário narrador Silvio Luiz, voltou ontem a ser daqueles que dirigem a partida e não mais da salinha gélida que o boleiros apelidaram de "tribunal", onde pessoas sem rosto dizem aos árbitros e auxiliares aquilo que não puderam ver, mas que devem fazer.

O conforto de estar em campo e deixar o risco a terceiros, foi substituído ontem pelos juizes das arquibancadas, milhares de vozes que questionaram decisões contrárias ao Náutico, ampliaram a temperatura da decisão e gritaram gols no momento em que aconteceram, sem a angústia da validação ou não do "impedimento do dedinho do pé esquerdo".

A invasão da torcida do Timbú ao gramado dos Aflitos foi emocionante. Torcedores abraçando seus ídolos, mostrando a paixão pelo time, sorrindo felizes com sua conquista, atravessando o campo de joelhos enrolados na bandeira do clube.

Na Curuzu não seria diferente.

*Antonio Carlos Salles é jornalista.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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