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Dérbi melancólico em Itaquera

Juca Kfouri

04/08/2019 20h59

O Dérbi começou com apenas um time em busca do gol: o Palmeiras.

Em oito minutos Cássio fez duas defesas muito importantes, em arremates de Deyverson e de Willian.

Mas com 12 minutos, Sornoza bateu falta pela direita e Manoel fez 1 a 0 de cabeça.

Futebol é assim…

O Palmeiras de Felipão teria de fazer algo que ainda não fez desde sua volta: virar o jogo.

Os alvinegros de Santos também festejavam.

A gelada Itaquera pegava fogo.

O Corinthians passava à frente na história do Dérbi pela primeira vez desde 1966, com 128 a 127 na história e 18 a 17 no Brasileirão.

Tinha muito jogo ainda pela frente.

E o Palmeiras seguiu muito mais agressivo, embora exposto aos contra-ataques, como aos 20', quando Júnior Urso quase encobriu Weverton.

Quando a metade do primeiro tempo chegou o Palmeiras tinha 71% de posse de bola.

Quando o 26º minuto chegou, porém, outra bola parada de Sornoza, agora pela esquerda, e por pouco Weverton não foi buscar a bola no fundo do gol outra vez.

O VAR entrou em ação, por nada.

O Palmeiras tinha mais a bola e não sabia o que fazer com ela.

O Corinthians tinha menos e sabia.

Tecnicamente o jogo era fraco, tenso, mas fraco.

Pedrinho ciscava pela direita e conseguia amarelar Gómez e Diogo Barbosa.

Aos 43', também Gil recebeu cartão amarelo e quando você começa a contar advertências é porque o jogo deixa a desejar…

Fábio Carille foi para o vestiário vencendo seu oitavo Dérbi em nove disputados.

Como no primeiro tempo a bola só correu por 24 minutos, esperava-se coisa melhor no segundo.

Felipão segurou seu time durante 18 minutos no intervalo, talvez para fazer o time jogar bola.

Gustavo Scarpa voltou no lugar de Rafael Veiga.

E com três minutos, de cabeça, Felipe Melo, no quinto andar, empatou em cruzamento de Deyverson: 1 a 1.

O curioso foi que o Corinthians não voltou recuado, ao contrário.

Os empates passavam a prevalecer nos 52 confrontos pelo Brasileirão, 18 a 17 e 17 e era o primeiro de Carille.

Clayson levantou a Fiel aos 9', ao dar um drible da vaca em Marcos Rocha e, na sequência, dar um drible que pôs Felipe Melo no chão.

Mas o jogo era uma irritante sucessão de erros, de ambos os lados.

E lento, quase em câmara lenta.

Acontecia uma inversão de papéis, com os anfitriões mais com a bola.

Mateus Vital substituiu Sornoza, aos 15'.

Zé Rafael no lugar de Willian, aos 17'.

O clássico passou a ser uma sucessão de bolas divididas, uma disputa incessante para maltratar a bola.

Um festival de chutões.

Felipe Melo, é claro, levou um cartão amarelo, por falta em Vital.

Matheus Jesus em campo, Gabriel fora, aos 27'.

Aos 28', Cássio salvou a virada duas vezes.

42.675 pagantes não viam o jogo que mereciam, mas viram Zé Rafael chutar na trave de Cássio, em lance em que foi marcado impedimento, mas não sei não…

O Palmeiras jogava melhor e ameaçava virar em contra-golpes.

Clayson saiu para Everaldo jogar, aos 36'.

Aos 39, Danilo Avelar bateu falta forte e Weverton fez boa defesa.

Felipe Melo foi trocado por Thiago Santos, aos 40.

O Dérbi se encaminhava para um melancólico empate que, no entanto, permitia que entre mortos e feridos todos se salvassem.

Aos 48, porém, Cássio fez milagre e evitou o gol de Deyverson.

Um clássico triste, pobre, mas real.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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