Brito, 80
Por ROBERTO VIEIRA
O menino Hércules nasceu nas vésperas da II Guerra Mundial no Rio de Janeiro.
O batismo era profético.
O menino tinha força física de semideus.
Apaixonado pela bola, não curtia domingada.
Seu estilo estava mais pra divisão Panzer.
Gostava de samba.
Gostava das garotas.
De Ipanema ou não.
Era alegre, e como não ser se depois da guerra veio a bossa nova?
Brito virou jogador do Vasco da Gama.
Dupla de zaga com o aristocrático Fontana.
Líbero nas mãos de João Saldanha.
Esteio da defesa nas invenções de Zagalo.
Zagalo que lhe deu Piazza pra proteger.
Para o mundo que admirava o preparo físico germânico.
A altivez de Fachetti.
O bigode de Anchietta.
Brito surgiu com o Stalone do México.
A prova viva de que Gilberto Freyre estava certo.
O mulato brasileiro é imbatível.
Brito jogou o Tri com saúde de touro premiado.
Singelo.
Sublime.
Impecável.
Porém, não se pense que Brito era ou é um santo.
Jamais.
Seu bom humor desaparece rapidinho.
Mais rápido que seus botes na grande área.
Até agora?
Basta alguém falar 'Yustrich' perto dele.
Hoje?
Hércules Brito Ruas completa 80.
Mas sua alma será sempre de um herói de 70…

Sobre o Autor
Colunas na Folha: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/










