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Abraço de Urso no Goiás

Juca Kfouri

07/08/2019 21h09

Corinthians e Goiás fizeram primeiro tempo muito gostoso de se ver.

O Alvinegro insinuante, variando jogadas pelos dois lados do campo, tocando com rapidez e incomodando constantemente o goleiro goiano, embora menos letal do que poderia.

O Esmeraldino, depois de ver os anfitriões jogarem por 15 minutos, foi para cima, mandou bola na trave de Cássio com Kayke, criou pelo menos mais duas chances de gol e até fez um, belíssimo, de Michael, deixando Gil órfão de pai e mãe num drible espetacular.

Mas, infelizmente, ele recebeu a bola milimetricamente impedido, daqueles que sem VAR passaria, mas com ele não passa e o gol foi anulado.

A regra tem de mudar: pelo menos um corpo à frente para haver impedimento, porque é claro que Michael não levou vantagem no lance.

Antes da anulação, porém, o Corinthians, em bela trama de pé em pé abriu o placar com Júnior Urso, ao receber de Clayson depois de tabela com Gabriel, aos 24 minutos, quando o time já tinha feito para estar vencendo.

O segundo tempo começou tão bem como acabou o primeiro e Michael mostrava que estava disposto a infernizar a defesa paulista, exercendo no time verde, pela direita, o papel que Soteldo desempenha pela esquerda, com seis centímetros a mais que o venezuelano de 1.60m.

Goleado pelo Flamengo e pelo Santos, o Goiás dava trabalho, ameaçava empatar e o corintiano, que tinha expectativa de ver nova goleada, já começava a se dar por satisfeito com a vantagem mínima — que punha o time em quinto lugar, apenas um ponto atrás do Galo e do Flamengo, dois adiante do São Paulo que tem um jogo a menos.

Aos 17', Mateus Vital deu lugar a Jadson, lembra dele?

Em bom português, e por paradoxal que pareça, o Goiás perdia, mas recuperava sua dignidade e o Corinthians ganhava, mas ainda não incutia confiança absoluta.

À medida que o tempo passava a qualidade do jogo caía proporcionalmente até que Kayke, aos 22', chutou de fora da área, Cássio defendeu e a bola ainda bateu na trave.

Então, Kayke saiu e Rafael Moura entrou, sabe-se lá por quê.

Clayson foi trocado por Everaldo, aos 32'.

Michael, 22 anos, seguia infernizando. Olho nele!

E foi sacado aos 36', para alívio dos corintianos e estranheza dos goianos.

Brandão entrou no lugar dele.

Como castigo, Júnior Urso desceu pela direita, deu uma comida num zagueiro, outra noutro que meteu o braço na bola dentro da área e Boselli bateu o pênalti para fazer 2 a 0 e dar razão aos três companheiros do Linha de Passe, aos 42'.

Urso fez um gol e causou o outro.

Saiu aos 43' para Matheus Jesus jogar um pouco.

Aos 46', Cássio lançou Everaldo que ia entrar de bola e tudo quando sofreu falta de Iago Felipe e causou a expulsão do zagueiro.

Vitória justa, mas o placar moral foi outro: 3 a 2 e Michel foi o melhor em campo, seguido por Júnior Urso, que voltou a jogar bem diante de  34.595 pagantes.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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