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O Chile morreu na véspera

Juca Kfouri

03/07/2019 23h25

Como você estudou em História, Chile e Peru, mais a Bolívia, ao lado do Peru, guerrearam, em fins do século 19, por questões de fronteiras e riquezas em territórios anexados pelos chilenos, vencedores da chamada Guerra do Pacífico.

Por isso era de se esperar um jogo guerreado, como os entre Argentina e Inglaterra, por exemplo.

E o Peru do técnico argentino, ex-Palmeiras, Ricardo Gareca surpreendeu o Chile do treinador colombiano, ex-Flamengo, Reinaldo Rueda.

Em sete minutos no péssimo gramado da Arena Grêmio, o colorado Guerrero deu o primeiro gol ao santista Cueva que o desperdiçou miseravelmente e o ex-colorado Aranguiz fez o mesmo do outro lado.

Ninguém esperava flores do embate, muito menos os chilenos que viram, aos 20 minutos, o Peru sair na frente com…Flores.

O jogo que indicaria o adversário do Brasil na final da Copa América era o melhor do torneio em seu primeiro tempo, lá e cá, veloz, intenso.

Habituado a jogar com bola no chão e trocar passes, o Chile não conseguia articular uma jogada e provavelmente se queixará do gramado.

Mais voluntarioso e guerreiro, o Peru atormentava a vida chilena.

E, aos 37', o ex-vascaíno Yotún, de fora da área e sem o goleiro Árias que havia saído tresloucadamente da dita cuja, fez 2 a 0, para deixar perplexos os bicampeões continentais.

Sete minutos depois Gallese fez milagre ao evitar o primeiro gol chileno e o intervalo chegou com a confortável vantagem peruana.

Era o Chile quem morria na véspera, favorito de todos para chegar ao Maracanã.

Como era de se prever o Chile voltou com tudo para a etapa final e logo aos 5' Vargas cabeceou na trave peruana, que havia perdido Flores, machucado e trocado por González.

O Chile trocou, no intervalo, Fuenzalida por Sagal.

Aos 14', aproveitando o espaço que o Chile deixava, quatro peruanos desceram em contra-ataque contra dois chilenos e de Guerrero para Cueva e dele para Yotún viu-se o volante perder um gol incrível.

O tempo passava e a vitória peruana se desenhava em cores cada vez mais nítidas.

Tite certamente comemorava, embora jamais vá confessar e saiba que o 5 a 0 da Arena Corinthians foi uma coisa e a decisão da Copa é outra.

Mas, de fato, jogar contra o Chile seria muito mais complicado pela confiança que os chilenos teriam em chegar pela terceira vez seguida à decisão.

Aos 30', Gallese fez novo milagre cara a cara com Vargas.

Cinco minutos depois, livre, Arturo Vidal perdeu gol de cabeça.

Aos 36', Gallese evitou, rente à trave, gol de Aranguiz, o melhor chileno em campo.

O goleiro peruano que foi mal contra o Brasil, já era o nome do jogo.

Na batata, o placar moral do jogo era 5 a 4.

Mas o real era mesmo 2 a 0 e assim foi até o fim, quando, aos 46', Guerrero driblou o goleiro e fez 3 a 0. Só não entrou com bola e tudo porque não quis.

Oitava finalização peruana, terceiro gol, contra 17 do Chile.

Ainda houve tempo para o VAR marcar um pênalti e VARgas bateu de cavadinha para Gallese pegar, com uma mão.

Até que o jogo acabou pacífico.

Brasil x Peru decidirão a Copa América às cinco em ponto da tarde do domingo no Maracanã.

Argentina e Chile, protagonistas das duas últimas decisões, disputarão o terceiro lugar em Itaquera, o jogo que ninguém quer jogar, às 16h de sábado.

O Brasil jogará em busca do eneacampeonato e o Peru atrás do tri.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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