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Ninguém ganha do Verdão

Juca Kfouri

13/07/2019 20h57

Felipão escalou o time B do Palmeiras, o do Brasileirão, para enfrentar o São Paulo no Morumbi, com 38.267 torcedores.

O outro time, ainda mais forte, é o C, o das Copas Brasil e Libertadores.

E o Choque-Rei começou animado, com oportunidades de gols para os dois times antes dos 10 minutos.

Aliás, com gol de Pablo, aos 9'40", em passe de Hernanes: 1 a 0.

Cuca escalou o que tinha de melhor, com Hernanes 100% e com o trio APP, Antony, Pablo e Pato.

Depois de 90 dias no estaleiro, Pablo fez seu primeiro gol no Morumbi.

O Palmeiras sofria o terceiro gol em dez jogos e perdia a invencibilidade.

Se para o Verdão era mais um clássico, para o Tricolor era jogo de afirmação, além de ser o Brasil no Brasilerão, todos torcendo para evitar a disparada alviverde.

Hernanes gastava a bola.

Tinha muito jogo pela frente e Gustavo Scarpa só não empatou porque Tiago Volpi fez bela defesa, aos 23'.

Do trio APP só Pato parecia não entender o tamanho do embate ao não competir com o mesmo espírito dos demais, individualista, incapaz de dar um passe valioso.

Pelo andar da carruagem Felipão deveria pensar em Bruno Henrique para o segundo tempo.

O São Paulo teve de tirar Pablo, machucado no joelho, e estreou Raniel, ex-Cruzeiro.

O Palmeiras tirou Zé Rafael e pôs Carlos Eduardo.

Antes do primeiro minuto, Volpi fez milagre cara a cara com Deyverson.

Antes do terceiro, Weverton fez o mesmo diante de Raniel e, no mesmo lance, evitou o gol de Reinaldo, em chute que tinha a direção do ângulo tricolor.

Antony fez gato e sapato de Carlos Eduardo e levou entrada violenta que valeu cartão amarelo ao palmeirense.

Pato, enfim, participou de jogada aguda, mas bateu fraco para Weverton mandar a escanteio, aos 14'.

Saía faísca a cada dividida quando Rafael Veiga substituiu Scarpa, aos 19'.

O Palmeiras queria porque queria manter sua invencibilidade de 32 jogos no Brasileirão.

Já o São Paulo só queria quebrá-la.

Foi então que Dudu chutou, a bola foi travada por Reinaldo, subiu, desviou, caiu no travessão, Volpi subiu esquisito e redonda bateu em sua nuca para ficar 1 a 1, aos 26'.

Volpi tinha acabado de ouvir seu nome ser cantado no estádio…

Cuca tirou Pato, a pedido, e pôs Toró, além de sacar Hernanes, esgotado, para Igor Gomes jogar, aos 30'.

O Palmeiras que nem gosta tanto de ficar com a bola a controlava e ficava mais perto do segundo gol.

Não apenas o time tricolor estava abatido, mas a torcida também emudecia.

Aos 37', Willian Bigode entrou no lugar de Dudu, porque o líder já não queria apenas manter a invencibilidade, mas ganhar o clássico.

E fazia por merecer.

Mas o empate permaneceu.

O Palmeiras não perde há 33 jogos no Brasileirão.

O São Paulo não vence há oito.

Enquanto isso, em Salvador, com 18.853 torcedores, Santos vencia o Bahia por 1 a 0, gol de Sanchez aos 41' do segundo tempo, ao pegar o rebote de pênalti que ele mesmo bateu, num jogo que só teve mesmo a etapa final emocionante, com boas defesas de Douglas e bola no travessão baiano, além de três boas chances de gol do tricolor baiano.

Assim, a diferença entre Palmeiras e Santos caiu para três pontos.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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