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VAR cala vaias e Seleção ganha fácil de ninguém

Juca Kfouri

14/06/2019 23h22

Era como se um time de adultos jogasse contra um de crianças no Morumbi com menos gente do que seria esperado caso o torcedor brasileiro estivesse dando muita bola para a Copa América.

Só que o time de adultos, o do Brasil, embora criasse três chances claras de gol nos primeiros dez minutos, não conseguia fazer gol no das crianças, o da Bolívia.

Tomava a bola como se tira doce da boca de criança, mas o jogo chegava aos 27 minutos com o placar zerado.

Crescia a expectativa sobre em que momento a torcida paulista começaria a vaiar.

O 30° minuto passou, o 31º, o 32º e nada.

Nem gols, nem vaias.

Escanteios seguidos pela esquerda e pela direita no ataque nacional não resultavam em nada.

Alisson poderia ter ficado em Porto Alegre cuidando do filho recém nascido que seria mais útil, pelo menos para sua companheira, porque a Seleção não precisava dele.

O jogo chegou aos 40' com 75% de posse de bola brasileira, mais murcha do que cheia.

E vaias começaram a ser ouvidas no estádio do São Paulo, apesar das presenças dos ex-tricolores Casemiro e David Neres.

Quando o intervalo chegou às crianças tinham crescido um pouco e os adultos ouviram vaias bem mais altas, fortes mesmos.

Não se via a leveza que se esperava da Seleção sem Neymar e não havia ninguém, como ele, para acender o jogo.

No 11º jogo depois da Copa da Rússia, com nove vitórias e um empate, a Seleção seguia com desempenho abaixo da crítica, porque o 7 a 0 contra dez jogadores de Honduras não vale.

No primeiro minuto do segundo tempo o assoprador de apito argentino foi chamado pelo VAR em busca de um pênalti para o Brasil.

E achou!

Achou, diga-se, porque houve.

Os bolivianos, como fazem nossos jogadores, quiseram discutir com o VAR. Em vão.

Três minutos depois, aos 4', Philippe Coutinho bateu e abriu o placar.

Era justo, sem dúvida, mas insuficiente.

Aberto o marcador, mais três minutos, Roberto Firmino recebeu bom passe de Richarlison, foi à linha de fundo pela direita e pôs na cabeça de Coutinho para fazer 2 a 0.

As vaias estavam estavam sepultadas e a goleada desenhada.

A seleção boliviana só existe na altitude de La Paz e São Paulo fica apenas 760 metros acima do nível do mar.

Gabriel Jesus entrou no lugar de Firmino, aos 19'.

A torcida presente ao Morumbi via o jogo sem entusiasmo porque, de fato, o jogo não entusiasmava, apenas garantia a vitória na estreia, como, cá entre nós, era obrigatório.

Nesta fase de grupos o único jogo que pode trazer alguma dificuldade será o de sábado, em Itaquera, contra o Peru de Guerrero.

David Neres saiu para Everton jogar, aos 35'.

Quem sabe ele animava o treino, embora Tite tenha também chamado Willian, para o lugar de Richarlison.

Mas foi Everton mesmo quem, aos 39', tratou de fazer o Morumbi explodir, com um golaço bem ao seu estilo, aliás, o melhor jogador brasileiro há algum tempo.

Deveria ser titular.

Aos 42', Alisson fez sua primeira e única defesa no jogo inteiro, diante de 47 mil torcedores, no estádio em que cabem 68 mil.

NOTAS:

Difícil, ou facílimo, dar notas à defesa, praticamente sem sem exigida.

Poderia dar dez a Alisson, com atuação perfeita, sem nenhum erro…

Bem, sem brincadeiras.

Notas sete de Alisson até Felipe Luís porque eles não têm culpa de não terem sido exigidos.

Casemiro e Fernandinho, 6,5, porque num jogo tranquilo pouco contribuíram na armação;

Philippe Coutinho fez dois gols e mais nada, nota 6,5, para repetir uma avaliação que ficou célebre no velho e bom "Jornal da Tarde", para o ótimo centroavante argentino, Artime, do Palmeiras.

Nem Firmino e nem Richarlison jogaram o que sabem e ficam com 6.

David Neres foi o mais ousado, nota 7.

Gabriel Jesus não fez mais que Firmino: 6

Everton entrou e fez um golaço: 7,5

Willian jogou pouco, sem nota.

Tite deve ter dado confiança e segurança ao time para jogar melhor no segundo tempo e vencer, mas há de saber que o desempenho segue decepcionante: 6,5

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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