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Juca Kfouri

19/05/2019 11h14

POR AIRTON DE FARIAS*

O texto difundido por Jair Bolsonaro em grupo de WhatsApp esta semana está mais para uma justificativa de (auto) golpe que como sinalização de renúncia.

Nas entrelinhas, uma mensagem: como a "velha" política não funciona, o presidente deseja fechar tudo e implantar uma regime de força, que "moralize" a nação e traga o "progresso e desenvolvimento".

Mergulhado em trapalhadas do Twiiter, com acusações de corrupção e envolvimento de familiares com milícias, o presidente derrete.

Como salva-vidas, buscaria a radicalização do enfrentamento político, para desviar o foco de sua incompetência e, talvez, a força?

Outros governantes deste País antes buscaram justificavas pra implantar ditaduras – Deodoro da Fonseca fez em 1891 (fracassou e renunciou), Vargas também, em 1937 (implantou a ditadura do Estado Novo, usando como pretendo uma falsa ameaça comunista do Plano Cohen) e Jânio, em 1961 (renunciou com o fracasso da manobra).

O chamado às ruas de seus apoiadores para dia 26 pode servir de termômetro para a aventura autoritária de Bolsonaro.

Muita ingenuidade não perceber como há uma gravíssima ameaça à nossa capenga democracia.

A tempestade perfeita.

Inflação voltando, recessão chegando e o caos político ante um governo totalmente inoperante.

Bolsonaro se isola no poder com seus filhos e os mais radicais ideólogos.

Vários de seus apoiadores estão saltando fora (os liberais, por exemplo) e há um evidente silêncio constrangedor de setores militares, que inabilidosamente vincularam a imagem das Forças Armadas ao governo Bolsonaro. A instituição também está sendo arranhada – não por acaso todo o esforço do vice Mourão em se apresentar como "equilibrado".

Até o Lobão pulou do bolsonic.

Muita gente avisou: as manobras do impeachment de 2016 e o sistemático desrespeito a princípios elementares de um Estado de direito por segmentos do judiciário (leia-se Lavo Jato), com a satanização da política e das instituições, iriam custar muito caro ao Brasil.

A conta está chegando e o valor é alto e amargo.

*Airton de Farias é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense, mestre em História pela Universidade Federal do Ceará, licenciado em História pela Universidade Estadual do Ceará e bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Publicou livros sobre a ditadura militar brasileira e a luta armada e sobre a história das Copas do Mundo e das Olimpíadas.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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