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Talleres enfia a faca no São Paulo

Juca Kfouri

06/02/2019 23h23

Sofre-se.

Sim, o primeiro tempo em Córdoba foi um sofrimento.

Nem tanto pelos riscos eventualmente corridos pelo São Paulo, o que não ocorreu.

Ao contrário, foram os brasileiros que criaram as melhores chances, pelo menos três.

Mas o futebol foi sofrível.

O Talleres é um time pedestre.

Joga a morrer, como dizem eles, mas não tem nem o cacoete do futebol argentino.

O São Paulo é melhor?

É, bem melhor.

Individualmente, então, nem se fala.

Mas incapaz de se impor, de botar a bola no chão, triangular, domar o ímpeto do adversário que joga na base da ligação direta, à espera de um erro.

O 0 a 0, pela fase atravessada pelo São Paulo, não era mau resultado.

Só o jogo que era muito ruim.

Como o intervalo chegou e ainda tinha mais 45 minutos pela frente, a esperança estava nas observações de André Jardine para fazer seu time botar a cabeça no lugar, não se impressionar com a gritaria tradicional das torcidas argentinas e jogar 10% de bola para voltar ao Brasil com a vitória na bagagem.

Estava claro que faltava ritmo de jogo a Hernanes.

O São Paulo voltou com marcação mais alta e os argentinos se atrapalhavam na saída de bola.

Mas parece que a ruindade contamina e o São Paulo não deixava por menos, com erros bizarros.

Pablo estava sumido.

Então, Ramirez, matou no peito, deixou a bola tocar no chão e soltou uma bomba de esquerda, no ângulo de Volpi, num golaço, improvável, mas num golaço, aos 13 minutos.

Quer saber?

Cansa essa história de que nossos times são superiores.

Porque empatam com Danúbios, perdem para Talleres, Tolimas, Mazembes e Rajas Casablancas.

Estamos na terceira divisão mundial.

O estádio Mario Kempes foi à loucura.

Jardine coçava a cabeça, talvez por antever a catástrofe.

E chamou Diego Souza para o lugar de Nenê.

Aos 31', enfim, Pablo tirou tinta da trave e quase empatou, logo após Volpi ter feito ótima defesa em outro tirambaço de fora da área.

2 a 0 seria fatal, 1 a 1 seria um presente imerecido.

Claro, aos 35', Hudson arrumou uma expulsão de campo, por fazer falta no meio de campo, quando já tinha levado um cartão amarelo no primeiro tempo. Jenial, com J.

Então, Hernanes saiu e William Farias entrou como medida de contenção de danos.

Não adiantou.

Trocando passes, da entrada da área, Pochettino fez o 2 a 0, aos 43'.

No fim, até olé teve.

Na volta, no Morumbi, dá para virar, mas não espere que os argentinos se intimidem, ao contrário, espere muita catimba.

Espere também os apelos de sempre para incentivar a virada, porque o placar é reversível, blá-blá-blá.

Lamentável, deprimente, vergonhoso.

O São Paulo não perdeu para o River Plate, ou para o Boca Juniors, Racing, Independiente, Rosario Central ou Estudiantes.

Perdeu para o Talleres, que tem nome de garfo e faca, mas significa oficinas.

Mas parece que o São Paulo não tem conserto…

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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