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No Castelão seria o adeus do Timão?

Juca Kfouri

2007-02-20T19:22:55

07/02/2019 22h55

No Estádio do Café, em Londrina, para desvirtuar o espírito da Copa do Brasil, o Ferroviário do Ceará, que mora em Fortaleza, a 3.600 quilômetros do Norte do Paraná, "recebeu" o Corinthians, em território alvinegro, porque em região colonizada pelos paulistas.

Se você contar para um inglês que a CBF autoriza tais barbaridades ele não acreditará.

Jogando em câmara lenta, os três vezes campeões do torneio, e atuais vice-campeões, viram aos 7 minutos um passe de Gustagol para o reestreante Vágner Love perder gol feito na pequena área.

E viram, pouco depois, o rebote de uma bola na trave de Cássio terminar nos pés do artilheiro Cariús que fez 1 a 0 para os mandantes/visitantes, aos 15'.

Jogando como jogou, o Corinthians corre o risco de ser eliminado da Sul-Americana já no jogo de ida com o Racing, em Itaquera, na quinta-feira que vem, como foi eliminado pelo mesmo Racing em 2017.

Campeão da Série D do ano passado, o Ferrão dava trabalho ao lento zagueiro Henrique, sempre um segundo atrasado, como no gol.

Mas não demorou muito, apenas quatro minutos, e em cabeçada do zagueiro Manoel o goleiro Gleibson largou a bola bisonhamente para Gustagol não perdoar e empatar 1 a 1.

O empate bastava para o Alvinegro seguir na Copa.

Jadson repetia exibição preguiçosa e se era sabido que dos grandes coube ao Corinthians o adversário menos fácil, fato é que o Timão se complicava, como se não acreditasse que pudesse ser difícil.

Aliás, também na Copa Sul-Americana quem pegou o adversário mais temível foi o Corinthians, que enfrentará o Racing, líder do Campeonato Argentino.

Cássio pagava geral na envolvida defesa paulista.

E o meio de campo não criava nada, mesmo num bom gramado.

O Corinthians tinha a bola e não tinha a menor ideia do que fazer com ela, incapaz de uma jogada vertical, incapaz de uma transição com rapidez que fosse.

Palmeirense que estivesse vendo o jogo se perguntava como é que o time dele conseguiu perder o Dérbi.

O primeiro tempo terminou empatado e, acredite, com o Ferroviário mais perigoso.

Fábio Carille teria muito a fazer no intervalo.

O Corinthians até voltou mais aceso, mas quem fez 2 a 1 foi, outra vez, Edson Cariús, aos 9', de virada em cima, agora, de Manoel.

Só que, outra vez, dois minutos depois, Sornoza deu de cabeça para Gustagol empatar, 2 a 2.

Era noite dos centroavantes, ambos com o mesmo estilo, sofríveis fora da área, mortais dentro.

Ramiro, em noite irreconhecível, saiu para Matheus Vital jogar.

Aos 15', Love pediu para sair e Pedrinho, que era pedido pela Fiel, entrou.

Cássio seguia uma pilha com a defesa, diante de 20.430 torcedores.

O meio de campo seguia sem criar bulhufas e o Ferroviário continuava mais perigoso.

Aos 23', Boselli substituiu Gustagol.

Cássio trabalhava mais que Gleibson e o ataque cearense chegava ao 12º arremate ao gol contra seis do paulista.

Convenhamos, um disparate.

Só faltava o Todo Poderoso começar a fazer cera para segurar o resultado.

E era preciso aplaudir o atrevimento do Ferroviário.

Jadson não aparecia e Sornoza aparecia.

Mal, muito mal, péssimo.

Sim, aos 35', o Corinthians tentava administrar o empate e errava passes em cima de passes. Um horror!

Mas não tinha ninguém jogando bem no Corinthians?, você pode perguntar ao blogueiro ranzinza.

Tinha, o velho e bom e Ralf, além do Gustagol, é claro.

Só dava Ferroviário no Estádio do Café, técnica e fisicamente melhor ao ganhar todas as divididas,

Nem segurar a bola o Timão conseguia contra um time, repita-se, da Série C.

Imagine se o jogo fosse no Castelão…

Moral da história: os jogadores do Ferroviário não merecem a diretoria que têm.

Os do Corinthians saíram vaiados. Justamente.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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