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Dez jovens jogadores

Juca Kfouri

09/02/2019 10h36

POR MARCELO DUNLOP*

O rubro-negro mais alucinado que eu não conheci se chamava Ciro Monteiro. Era o saudoso cantor quem dizia:

"O maior time do mundo, vocês sabem, é o Flamengo. Já o segundo maior time do mundo, naturalmente, são os reservas do Flamengo. Já o terceiro, sem um pingo de parcialidade, é o juvenil do Flamengo…"

Na fúnebre manhã de sexta-feira, 8 de fevereiro, o terceiro melhor time do planeta segundo Ciro Monteiro foi exaltado em verso, prosa e orações por todos aqueles que amam a bola, de Messi a Pelé.

O escrete subiu dos vestiários com: Christian, o goleirão; Samuel, Arthur, Athila, Pablo Henrique e Rykelmo; Jorge Eduardo, Bernardo, Vitor Isaías e Gedinho.

Ao Clube de Regatas do Flamengo, resta a oportunidade de provar que é mesmo gigante como sempre se apregoou. Gigante em responsabilidade, solidariedade, apoio. Se agir como o time grandioso que luta para ser há 123 anos, fará tudo – e mais um muito – pelos familiares destroçados.

Aos torcedores, há outra missão. O Rio de Janeiro há uma semana, graças a Fla e Flu, só tinha um brado: todos ao Maracanã. Tracemos nova rota: todos à Gávea. Tricolores, rubro-negros, vascaínos, alvinegros, americanos, todo mundo lá para uma despedida à altura do imensurável sonho de dez jovens jogadores.

Bora, todos à Gávea para exaltar os pequenos ídolos de Pelé e Messi. Vamos todos, usando a fidalguia, saudar os jovens heróis de cada jogo, a começar por mim. Não importa a camisa, vale o coração.

Para o enlutado torcedor negro-negro, particularmente, será uma data inédita: tão acostumado a reverenciar seu passado, o flamenguista terá um dia para prantear seu futuro. Um futuro que não mais será.

Contudo, para as dez famílias que cultivavam o sonho de ver seus rapazes um dia com os nomes entoados por milhões de fãs eufóricos, só uma despedida assim, com cânticos e aplausos calorosos, será capaz de fazer sentido. Ainda que essas mortes não façam sentido algum.

*Marcelo Dunlop é jornalista.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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