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Amadeu, o técnico sincero

Juca Kfouri

10/02/2019 12h29

"Sinto vergonha pela campanha", disse o treinador da seleção brasileira sub-20

Carlos Amadeu é um sujeito raro.

Depois de novo fiasco da seleção brasileira sub-20 no Campeonato Sul-Americano da categoria, disputado no Chile, não deixou pedra sobre pedra.

Tão logo seus comandados ficaram num paupérrimo 0 a 0 contra os meninos do Equador, para conquistar apenas o segundo ponto em quatro jogos no hexagonal que classifica quatro times para o Mundial, Amadeu cravou a faca no próprio peito:

"Sinto vergonha da campanha que estamos fazendo. Tenho consciência plena da minha responsabilidade. Na minha carreira não passei por momento tão triste".

E analisou seu time: "O jogo foi a cara do que tem sido a nossa seleção. Pouca criatividade. Não consegue ser agressiva nem com a posse nem sem a posse de bola".

A franqueza é uma qualidade que poucos têm no mundo do futebol.

A capacidade de fazer autocrítica é coisa rara não apenas no futebol, mas, sobretudo, na política.

Amadeu merece elogios, embora a sinceridade não o exima das críticas pelo futebol pífio da seleçãozinha.

Só que não apenas a culpa está longe de ser dele como as deficiências que aponta no seu time podem ser feitas para a maioria dos times brasileiros.

Dias desses, no Dérbi, o Palmeiras ficou com a bola o tempo todo e não fazia menor ideia do que fazer com ela.

Em seguida, o Corinthians, vencedor do clássico ao se defender, se defender e se defender, enfrentou o Ferroviário cearense, da Série C, e também esteve com a bola a maior parte do tempo sem a menor imaginação, criatividade ou verticalidade, triste realidade.

Sabem Deus e Gustagol como o Alvinegro conseguiu empatar 2 a 2 para seguir vivo na Copa do Brasil, mesmo ao jogar com torcida a favor, em Londrina, a mais de 3 mil quilômetros de Fortaleza, embora o mando de campo fosse do adversário, destas bizarrices que a nefanda Casa Bandida do Futebol autoriza sem vergonha na cara.

É sabido que torneios de categorias de base não foram feitos para ganhar, mas com a finalidade de revelar, de dar experiência, de implantar um jeito de jogar.

Como é sabido que alguns de nossos melhores jovens não foram liberados por seus clubes europeus, casos de Vinicius Júnior, do Real Madrid, Paulinho, do Bayer Leverkusen, Rodrigo Guth, do Atalanta, Mauro Junior, do PSV, e Matheus Cunha, do RB Leipizig.

Não é pouca coisa, nem tampouco exclusividade nossa.

Ocorre que, em novembro passado, com todos eles, em dois amistosos contra a Colômbia, a seleçãozinha apresentou as mesmas deficiências, ao empatar 0 a 0 em Belo Horizonte, e 2 a 2 em Goiânia, em dois jogos horrorosos.

O resumo da ópera é ter de enfrentar hoje a já classificada Argentina com obrigação de vencer e ainda depender de outros resultados para ver se belisca a quarta vaga.

O jogo será às 23h10.

E sabe o que disse Amadeus sobre o jogo contra os argentinos?

"Está em jogo aqui o futuro da seleção, o futuro deles, o meu futuro, o da comissão técnica.Temos que arrumar força. Força interior tem que vir. Tem que ter equilíbrio, espírito para não querer passar vergonha. Podemos passar vergonha. Já esta ruim e pode piorar".

Têm, também, de torcer , às 18h30, para o Uruguai contra a Colômbia e, às 20h50, para o Equador contra a Venezuela.

Que situação!

É o futebol do presente e o do futuro do Brasiiiillll!!!

Bem que Amadeus poderia ser o presidente do Flamengo.

Ao menos assumiria responsabilidades.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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