Blog do Juca Kfouri

Monumental River vira tetra!

Juca Kfouri

Apesar de tudo, é inegável: jamais um clássico sul-americano foi tão bem tratado como no pré-jogo no Santiago Bernabéu.

Mas com menos de um minuto, Lucas Prato pegou Pérez para mostrar que a decisão não seria disputada à europeia.

Com menos de três, o Boca retribuiu.

Caixas de ferramentas abertas da América Latina…

Em vez do toco e me vou, bato e fico.

E erros, erros fáceis de passes simples, nervos à flor da pele.

A primeira chance de gol, para o Boca, aos 9 minutos, com Maidana, do River, que quase marcou contra.

Na cobrança do escanteio, Pérez teve a chance de abrir o placar, mas pegou fraco e Armani defendeu sem dificuldade.

Com apenas 15 minutos, o primeiro cartão amarelo, para Buffarini, do Boca.

Jogo ruim, com o Boca melhor, quando a metade do primeiro tempo chegou.

O gramado habituado a receber Real Madrid x Barcelona, se falasse, reclamaria.

A bola, então, nem se fala.

Aos 26′, foi a vez de Ponzio ser amarelado, na meia lua: 1 a 1.

Na cobrança da falta, novamente a bola sobrou para Pérez que só não fez o gol porque a bola desviou no pé do lateral Casco.

Pablo Pérez, aos 42′, recebeu o terceiro cartão amarelo do jogo.

No minuto seguinte, em contra-ataque, ele, Benedetto, pôs o Boca na frente, num lançamento espetacular de Nández.

Quinto gol de Benedetto em quatro jogos, depois de deixar Maidana na saudade e com direito a mostrar a língua para Montiel na comemoração.

O 370° Superclássico ia para o intervalo com a 134ª vitória xeneize.

Em 105 anos de rivalidade, os xeneizes ganham por 133 a 122.

Mas este jogo vale, no mínimo, por 50.

E o Boca fazia por estar na frente.

É claro que o River voltou disposto a virar.

E em seis minutos fez o goleiro Andrada trabalhar mais que em todo primeiro tempo.

Aos 10′, Andrada fez pênalti em Lucas Pratto? Há controvérsias, mas o VAR calou.

Só dava River em Madri.

E tinha jogo.

Ponzio saiu no River, Quintero entrou, assim como Ábila entrou para a saída de Benedetto, no Boca.

A superioridade do Millonarios se confirmou aos 22′, quando depois de ótima troca de passes, Pratto empatou em belíssimo gol.

As torcidas do Galo e do São Paulo gostaram e ele mais ainda, porque anunciou quando chegou ao River: “Venho para ganhar a Libertadores”.

Enfim, não havia por que europeu botar defeito na decisão sul-americana, diante de mais de 62 mil torcedores.

Aos 28′, Mayada substituiu Montiel no River.

Mais dois millonarios, Fernandez e Maidana, receberam cartões amarelos, em clima, digamos, de Gre-Nal.

O quinto foi para o xeneize Barrios.

Pérez saiu e Gago entrou no Boca, aos 43′.

Prorrogação à vista.

Claro!

A final do mundo resistia em acabar.

Mais 30 minutos.

No segundo minuto, Barrios levou o segundo amarelo e foi expulso: 3 a 3 no placar agregado, 11 a 10 para o River.

Jara entrou para fechar o Boca no lugar de Villa.

O River tinha a faca e o churrasco nas mãos.

Álvarez substituiu Palacios.

Um fósforo aceso mandaria o Santiago Bernabéu para os ares.

O Boca catimbava para fazer o tempo passar ao apostar nos pênaltis.

De novo, só dava River em Madri.

Ainda faltava o segundo tempo da prorrogação.

E Quintero, aos 3′, soltou um torpedo de esquerda para virar e deixar o tetracampeonato perto do Monumental de Nuñez.

O ex-corintiano Carlitos Tevez entrou no lugar do ex-são-paulino Buffarini: tudo ou nada!

O goleiro Andrada foi para a área do rival.

Valente, o Boca se mandou a todo risco e Gago ainda se machucou e deixou o time com nove.

Ainda assim, aos 14′, o Boca acertou a trave do River.

Em vão.

O River é tetracampeão!

E ainda, sem goleiro, fez 3 a 1, com Martinez.