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Gallardo mentiroso, cínico e hipócrita

Juca Kfouri

2002-11-20T18:17:59

02/11/2018 17h59

Marcelo Gallardo deixou pior a emenda que o soneto com suas declarações de hoje, evidentemente voltadas para tentar abrandar a pena dura que deve receber no tribunal da Conmebol, embora de lá se possa esperar tudo, inclusive nada.

Exageradamente suspenso com a exclusão de um jogo semifinal de Libertadores, porque seu time atrasou um minuto a volta para o segundo tempo contra o Independiente nas quartas de final, quis convencer o mundo de que agiu por impulso e sozinho, quando é óbvio de que foi de caso mais que pensado e autorizado pelo River Plate.

Além de com uma certa cumplicidade da própria Conmebol, que poderia ter agido para evitar que ele continuasse a se comunicar com o banco e evitado sua descida ao vestiário depois que flagrado ainda no primeiro tempo.

Melhor teria sido ficar calado porque sua rebeldia, que poderia contar com alguma simpatia, virou cinismo, hipocrisia e mentira deslavada.

Acoelhou-se o ídolo, com motivos de sobra para ser idolatrado, do River Plate.

"Três dias depois você para para refletir e analisar com mais tranquilidade o que foi o jogo e uma classificação histórica. Isso é o que valorizo e respeito, que talvez não tenha sido dada uma importância maior.

Sempre estive convencido de que era injusta (a punição) e diante de uma situação de tanta importância como uma semifinal de Libertadores, as emoções também jogam e jogaram contra mim ter atuado impulsivamente. Isso senti e refleti nesses dias.

Não posso responder se me arrependo de algo que fiz emocionalmente. De ter descumprido uma norma, isso sim me arrependo.

Agi por impulso e perdi a razão. Mas tenho tranquilidade e me parece que não há argumentos para invalidar a situação que claramente alcançamos no campo, que nos tirem da final.

Não tinha decidido ir para o vestiário, foi algo impulsivo, sanguíneo, que às vezes acontece. Você tem que viver esses momentos para entender o que se sente. Foi sanguíneo, assumi a minha responsabilidade, quebrei a regra, mas não estava desafiando nada. Estávamos perdendo e senti que tinha que estar com o grupo. Nada mais que isso.

O elenco está preparado para jogar sem o treinador no banco. Não gostaria de perder a final, mas confio neles e no meu corpo técnico.

Somos humanos e temos essas falhas com as quais podemos nos equivocar. Em toda a competição da Conmebol não tinha nenhum problema com nenhum árbitro".

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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