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Palmeiras ganha como campeão

Juca Kfouri

06/10/2018 19h52

Até o 33º minuto do Choque-Rei no Morumbi lotado, com quase 57 mil torcedores, pouco havia acontecido digno de registro.

Pouco, mas grave.

Aos 9', Sidão se assustou com a presença de Deyverson ao seu lado, perdeu a bola para o palmeirense e evitou o gol tocando na pelota fora da área.

O assoprador de apito deveria ter marcado a falta do centroavante, mas não marcou.

Como não marcou a falta clara do goleiro e não deu o cartão vermelho a que ele fez jus.

Daí até o primeiro gol alviverde, registre-se apenas o nervosismo do zagueiro tricolor Anderson Martins e o 12º cartão amarelo de Felipe Melo, suspenso do jogo contra o Grêmio.

Então, aos 33', Dudu bateu escanteio pela direita e Gustavo Gómez subiu livre para fazer 1 a 0.

Num clássico mais pegado que jogado, tinha um time verde com espírito de campeão e outro passivo.

Daí para o segundo gol demorou apenas quatro minutos.

Escanteio para o São Paulo, soco na bola de Weverton para armar o contra-ataque que saiu mortal do pés de Mayke, que entrara no lugar de Marcos Rocha, com a conclusão de Dudu na trave.

Só que o Palmeiras queria o segundo gol e a defesa são-paulina voltou de freio de mão tão puxado, que o rebote foi palmeirense e o cruzamento, de Mayke, saiu na cabeça de Deyverson para ampliar: 2 a 0.

No intervalo, a torcida são-paulina que se incomoda de ser chamada de bambi, e é a única que segue chamando o goleiro adversário de bambi, vaiou seu time.

Tudo errado!

O São Paulo voltou com Éverton e Carneiro nos lugares de Rodrigo Caio e Nenê para tentar evitar a quebra de sua invencibilidade em casa neste Brasileirão.

E a de 16 anos e 24 jogos sem perder para o rival no Morumbi, com 15 vitórias tricolores.

Os anfitriões tinham pressa e os visitantes, frieza.

Ficava claro que o Palmeiras está inteiro para enfrentar a reta final do campeonato e o São Paulo, como o Inter, aos pedaços.

Só mesmo o Grêmio e, eventualmente, o Flamengo, parecem em condições de disputar o título com o Verdão.

Willian substituiu Hyoran aos 24', porque quem pode, pode.

Weverton via o jogo de dentro do campo, o chamado espectador privilegiado, nem chance de ser chamado de bicha ele tinha.

E seu time ameaçava em contra-ataques, mas errava no último passe, ora com Dudu, ora com Deyverson.

A torcida pedia raça, mas o São Paulo parece esgotado, sem pulmão e sem cabeça, sem ideias para reagir num segundo turno de aproveitamento medíocre.

Se garantir vaga direta na Libertadores estará de bom tamanho porque, mais tarde, caso o Grêmio ganhe do Bahia, em Porto Alegre, o time cairá para o quinto lugar.

A melhor chance de gol na etapa final saiu dos pés de Willian, aos 34', evitada também com os pés por Sidão.

Aos 35' foi a vez de Bruno Henrique sair do banco do líder, agora três pontos à frente do segundo colocado, e entrar no lugar de Lucas Lima, com grande atuação.

Como última tentativa, Diego Aguirre pôs Tréllez no lugar de Diego Souza, aos 37'.

No primeiro toque na bola dele, a bola foi passada para Rojas que obrigou a primeira defesa de Weverton no Choque-Rei pintado de verde e branco.

O São Paulo, impotente, terminou o jogo com a bola.

E o Palmeiras, imponente, administrou como quis até o fim.

A expectativa que havia para o jogo da próxima rodada entre Inter x São Paulo está transferida para Palmeiras x Grêmio, no Pacaembu.

Sobre o Autor

Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/

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